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Agência EFE PARIS - O ex-primeiro-ministro francês Dominique de Villepin voltou a negar participação no caso Clearstream, uma suposta tentativa de desprestigiar várias personalidades, em particular o atual presidente francês, Nicolas Sarkozy, e ressaltou que não está disposto a se tornar o "bode expiatório". - Não aceitarei ser um bode expiatório - ressaltou, em entrevista ao jornal "L''Est Républicain". O escritório de Villepin em Paris foi cenário de uma busca judicial, ontem. Na quinta-feira, os juízes haviam feito outra revista na sua casa. O ex-primeiro-ministro se queixou do "julgamento" na imprensa, quando nem sequer tem acesso ao dossiê da instrução. Ele ressaltou que também não pede "um tratamento particular", mas apenas "os direitos elementares de qualquer cidadão", que na sua opinião estão sendo desrespeitados. - Querem apresentar o caso a qualquer preço como um acerto de contas político. Mas volto a dizer: em nenhum momento pedi a ninguém que investigassem personalidades políticas, e menos ainda que comprometessem alguém - argumentou o ex-chefe do Governo conservador, rival de Sarkozy quando os dois estavam no Executivo. Villepin disse que "a origem do caso é uma rivalidade industrial e financeira". - Mas é mais interessante procurar supostas rivalidades políticas, e assim nos afastamos da verdade - acusou. Ele desmentiu formalmente "ter tomado qualquer iniciativa" em relação ao juiz que recebeu uma carta anônima com uma lista de personalidades políticas e empresariais, entre elas Sarkozy, acusadas de cobrar comissões ilegais. Mais tarde, foi descoberto que a lista era falsa. Villepin desqualificou as últimas declarações do general dos serviços secretos Philippe Rondot, sobre a sua suposta implicação numa manobra de desestabilização política contra Sarkozy. - Rondot foi muito raramente testemunha dos fatos ou das citações que menciona. Ele fala de confidências que ele mesmo não ouviu - apontou. O escândalo investigado pela Justiça começou há mais de três anos. O caso Clearstream recebeu o nome da sociedade luxemburguesa cujas listas de contas bancárias foram falsificadas para acusar de corrupção industriais e políticos franceses. Villepin poderia ser citado antes do fim do mês pelos dois juízes que investigam o caso. É provável sua acusação por "cumplicidade em denunciação caluniosa", segundo fontes judiciais citadas pela imprensa francesa.
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