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REUTERS SÃO PAULO - O dólar chegou a cair abaixo de 1,90 real nesta sexta-feira com a entrada de divisas no país, mas a resistência à barreira psicológica manteve a moeda norte-americana acima desse piso informal. O dólar fechou cotado a 1,903 real, em baixa de 0,57 por cento. Alguns negócios foram registrados no final da manhã com o dólar a 1,899 real, mesmo nível visto em novembro de 2000. Na terceira semana de junho, o dólar à vista negociado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) já tinha caído até 1,897 real, mas também não sustentou o patamar. De acordo com analistas, a forte entrada de dólares puxou a queda do dólar desde o início da sessão. "O mercado tem uma única ponta. É superávit comercial, investimento direto (de estrangeiros), compra de empresas, você só tem ingresso de moeda", disse João Medeiros, diretor de câmbio da corretora Pioneer. Além disso, as bolsas norte-americanas subiam, apesar da avaliação do mercado de uma menor chance de corte no juro após dados sobre o mercado de trabalho. Os índices eram impulsionados pelas ações do setor de energia, favorecidas pelo avanço do petróleo. Entretanto, apesar das condições favoráveis, a moeda se equilibrou perto de 1,90 real na maior parte do dia. "O que se percebe é que quando isso ocorre (queda abaixo de 1,90 real), há uma retração da oferta e o preço apresenta discreta recuperação", afirmou a corretora NGO em relatório. ALÍVIO DOMÉSTICO Para o economista-chefe da corretora Liquidez, Marcelo Voss, o alívio momentâneo do mercado brasileiro com a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) também contribuiu para a queda do dólar. O índice, que é usado como referência para a meta de inflação do governo, subiu 0,28 por cento no mês passado, mesmo ritmo registrado em maio. O dado diminuiu o temor de um aumento da inflação e tirou a pressão das taxas de juros de longo prazo, que subiam desde quarta-feira com a divulgação de que os preços ao consumidor em São Paulo subiram mais que o previsto em junho. No final da sessão, o Banco Central voltou a realizar um leilão de compra de dólares no mercado à vista. A autoridade monetária definiu corte a 1,901 real e aceitou, segundo operadores, ao menos sete propostas. Na segunda-feira, o mercado de câmbio fica desfalcado das operações em São Paulo, que comemora o feriado da Revolução Constitucionalista de 1932.
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