Coréia do Norte define passos do desarmamento com AIEA

REUTERS

VIENA - A Coréia do Norte aceitou medidas das Nações Unidas para verificar a desativação do seu programa de armas atômicas, disseram inspetores nucleares nesta terça-feira, mas há dúvidas sobre quando o desarmamento começaria.

Os 35 países da diretoria da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) fazem no dia 9 uma sessão especial que deve autorizar uma nova missão de inspeção, a qual terá como base a importante visita de uma delegação da agência na semana passada à Coréia do Norte.

Mas a AIEA diz que os norte-coreanos e os cinco países envolvidos na negociação devem marcar uma data para o desligamento do complexo nuclear de Yongbyon, origem do combustível nuclear do país asiático, antes que os inspetores sejam enviados.

Na segunda-feira, autoridades dos EUA disseram que Pyongyang exigia receber o combustível prometido antes de desligar o reator, o que pode constituir mais um adiamento no acordo de 13 de fevereiro.

Na terça-feira, porém, os EUA disseram que não vão se opor ao envio antecipado de 50 mil toneladas de petróleo a Pyongyang.

China, Japão, Rússia e Coréia do Sul também participam da negociação com o recluso país comunista.

Em um relatório que detalha os resultados da visita preparatória de cinco dias, feita por seus adjuntos, o diretor da AIEA, Mohamed El Baradei, recomendou que a direção da agência ratifique a volta dos monitores do órgão, expulsos da Coréia do Norte há quatro anos e meio.

Diplomatas disseram que a aprovação é certa e que esse será um passo importante na desnuclearização norte-coreana.

- Mas pode ser um processo muito longo, que levaria anos. A diferença entre agora e 2002 é que a Coréia do Norte tem armas nucleares, uma grande ficha de barganha - disse um diplomata próximo da AIEA.

O relatório de El Baradei, obtido pela Reuters e apresentado nesta terça-feira aos membros da direção, descreve um 'entendimento' de 11 partes para a verificação do desarmamento da Coréia do Norte, que anunciou no ano passado ter detonado sua primeira bomba atômica.

- A agência terá acesso a todas as instalações e equipamentos que foram fechados e/ou lacrados para o propósito das atividades de monitoramento e verificação - diz o texto.

Isso inclui um reator de cinco megawatts, uma fábrica de reprocessamento de plutônio, uma fábrica de combustível nuclear, um reator de 50 megawatts em construção e laboratórios, tudo em Yongbyon.

Os monitores da AIEA vão instalar mecanismos de vigilância que, segundo diplomatas, permitirão uma presença 'quase permanente' da agência, por meio de registros em fotos e vídeos.

El Baradei estimou o custo da missão em 2,3 milhões de dólares para 2007 e 3 milhões em 2008, verbas que os países da AIEA já teriam se comprometido a liberar.

[ 18:33 ]   03/07/2007