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Renato Grandelle, Jaime G. Filho, Marcello Gazzaneo e Marcello Victor, Agência JB RIO - A cúpula da Secretaria de Segunça Pública divulgou, agora a pouco, na sede da Polinter, na Zona Portuária do Rio, o saldo da megaoperação realizada, nesta quarta-feira, no Complexo do Alemão: 13 mortos, 40 quilos de cocaína, 30 quilos de maconha, duas metralhadoras calibre ponto 30, 60 bananas de dinamite, cinco pistolas e cinco fuzis. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, o chefe de Polícia Civil, Gilberto Ribeiro, o comandante-geral da PM, coronel Ubiratan Ângelo, e o comandante do 16º BPM (Olaria), Marcus Jardim, apresentaram o material apreendido no Alemão. No total, oito pessoas ficaram feridas a bala, entre elas um policial civil, dois adolescentes de 13 anos e dois de 17, sendo um deles acusado de ter participado do confronto armado. Seis foram vítimas de balas perdidas. Uma mulher foi espancada pelos bandidos. Até o início desta noite, 13 corpos foram deixados pelos veículos blindados da Polícia Militar, os chamados "Caveirões", nos hospitais Geral de Bonsucesso (HGB) e no Getúlio Vargas (HGV), na Zona Norte do Rio. Eles foram trazidos das favelas que compõem o Complexo do Alemão. Os números foram confirmados pelas secretarias municipal e estadual de Saúde. Mais mortos devem ser levados para essas unidades. Durante a operação, os policiais tiraram das mãos de familiares o corpo de um dos mortos na guerra travada nesta quarta-feira. Eles saiam da favela com o corpo envolto em um lençol quando foram impedidos de prosseguir pelos policiais. O cadáver chegou a cair no chão. Houve tumulto e os agentes tiveram que usar gás de pimenta para afastar os parentes. Eles reclamaram da truculência e disseram que a vítima era moradora da comunidade e trabalhador. José Mariano Beltrame chegou a informar, durante entrevista coletiva realizada no meio da tarde, de que o número de mortos poderia chegar a 20, durantre os confrontos registrados, desde a manhã. Ele explicou que as operações se concentraram nas localidades conhecidas como Areal, Chuveirinho e Matinha, onde, segundo levantamento da polícia, eram utilizados como refúgio dos traficantes em todas as incurssões da polícia e para o armazenamento de armas e drogas. O secretário de Segurança informou que foram necessárias cinco horas para que os agentes chegassem a esses locais. A mulher não identificada, deu entrada no HGV, no fim da tarde desta quarta-feira, com sinais de espancamento. Ela teria sido agredida violentamente por traficantes do Complexo do Alemão. A vítima chegou muito agitada a unidade e com ferimentos contundentes no rosto, braços e nas costas. Edvan Mariano de Souza, de 33 anos, chegou ao HGB ferido por um tiro de raspão na cabeça, próximo a escola Sodré, na região do Complexo do Alemão. O jovem Carlos Henrique Matias Vitoriano, de 13 anos, foi ferido por bala perdida, na Rua Canitá, um dos principais acessos a Favela da Grota, também no Alemão. O tiro transfixiou a coxa esquerda. Ele já foi medicado e liberado. Ivo Urbano da Silva, de 17 anos, teria sido ferido em confronto com os policiais, no Morro da Fazendinha. Atingido no braço esquerdo, ele foi medicado no HGV, detido e levado para a 22ª DP (Penha). Wesley Glauco Vicente da Silva, também de 17 anos, foi vítima de bala perdida e ferido no tórax, na mesma favela. O adolescente está passou por uma drenagem. Larissa Andrade Silva, de 13 anos, foi a terceira vítima de bala perdida nos confrontos armados. A jovem foi baleada dentro da escola Heitor Lira, na Favela da Grota, uma das que compõem o complexo de favelas do Alemão. Ferida na perna esquerda, a vítima foi colocada em um táxi e levada para o HGV. A SES informou que ela terá que ficar em observação até sexta-feira. Arlete dos Santos, de 48 anos, e Karen Cristina Baptista Borges, de 20, foram as primeiras vítimas civis na megaoperação no Alemão. Conforme a SES, Arlete deu entrada por volta das 12h20, no HGV, com um tiro na região lombar. Karen Cristina chegou por volta das 13h. Ela foi ferida por estilhaços de bala no tornozelo esquerdo e medicada. Pela manhã, o policiail civil Domingos da Silva Brasão, lotado na Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), foi atingido por um tiro no abdômen, também na Fazendinha. Seu estado de saúde é estável e até o momento não foi verificada a necessidade de intervenção cirúrgica, ainda segundo a SES. Agentes da Força Nacional de Segurança, do Batalhão de Operações Especiais (Bope), do 16º BPM (Olaria) e de várias delegacias especializadas da Polícia Civil, participam da operação. Integram a ação 1.200 homens das polícias Civil e Militar, além de 150 agentes da FNS. Entre os alvos da operação, estão as favelas da Fazendinha, Nova Brasília e Grota. Todos os acessos às comunidades estão cercadas. O objetivo da operação é cumprir mandados de prisão, além de apreender armas de drogas. Um helicóptero e três blindados deram apoio à operação. No início da ação houve intensa troca de tiros entre policiais e traficantes e um homem foi preso. Na comunidade da Grota, os tiros atingiram a parte elétrica e deixaram a favela sem luz. Também foram utilizadas retroescavadeiras para derrubar barricadas construídas pelos criminosos. O clima ficou tenso durante todo o dia e parte dos comerciantes fecharam suas portas. Durante os tiros, crianças que estavam na piscina e quadras da vila olímpica tiveram de ser retiradas às pressas e levadas para as salas. Agentes da PM cercam o Ciep Francisco Mignone, na Rua Itapé, Olaria. Havia denúncias de que traficantes que fugiram do Alemão e estariam na área. Diretores da escola ligaram para os pais pedindo que buscassem as crianças. Oito escolas do Complexo do Alemão tiveram que suspender as atividades por causa dos confrontos. Cerca de 4.600 ficaram sem aulas. Outras seis escolas e três creches já estavam sem aulas desde o início dos confrontos na região. Os policiais se reuniram desde o início da manhã no galpão de tiros da Polícia Civil, no Caju, na Zona Portuária, e de lá partiram em direção à região.
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