Petrobras contrata seguro para a Bolívia
RIO, 25 de junho de 2007 - A Petrobras contratou para a Bolívia o seguro que faltava para devolver as duas refinarias que mantinha no país vizinho. Com a atitude, a empresa brasileira resolveu o problema dos bolivianos e também uma pendenga própria, já que não tinha mais interesse em manter operações e pessoal próprio num negócio que não era mais seu. A Bolívia pagou a primeira parcela das refinarias, mas não levou - porque não conseguiu contratar seguro para as unidades.

A seguradora La Boliviana Ciacruz de Seguros y Reaseguros S.A., fechou contrato com a subsidiária Petrobras Bolívia Refinanción na sexta-feira. "Esta apólice foi negociada pela PBR porque a apólice antes vigente perderia sua validade caso qualquer dos ativos deixassem de ser operados pela Petrobras", diz a nota. Procurada, a assessoria de imprensa Petrobras confirmou a este jornal que o seguro foi feito para o governo boliviano.

Há duas semanas, o governo boliviano informou que, apesar do pagamento de US$ 56 milhões para retomar Gualberto Villarroel, de Cochabamba, e de Guillermo Elder Bell, localizada em Santa Cruz, não poderia assumi-las por causa da falta de um seguro. Nenhuma seguradoras que participou da licitação para cobrir as refinarias apresentou todas as exigências feitas pelo governo boliviano. O Ministério de Hidrocarbonetos da Bolívia decidiu, então, aguardar "uns dias a mais" para que as empresas tivessem tempo de cumprir os pré-requisitos.

"Em nível mundial, a Petrobras contrata seguro único que cobre as operações de todas suas refinarias nos diversos países onde atua. Contratualmente, esta cobertura se cancela automaticamente para qualquer unidade quando a Petrobras deixa de ser responsável pela sua operação", justificou a empresa em nota.

Na ocasião, o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, disse que a petroleira aguardaria os procedimentos necessários para passar o comando das refinarias para a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB). Pelo acordo previsto, a Bolívia teria direito de assumir o controle das refinarias logo após o pagamento da primeira parcela.

"Se as refinarias fossem assumidas pelo Estado boliviano, pela compra das mesmas por US$ 112 milhões, o seguro contratado pela Petrobras seria suspenso imediatamente, deixando as instalações sujeitas a qualquer imprevisto; por isto a empresa brasileira continuará operando até que se contrate uma nova seguradora", afirmou o Ministério de Hidrocarbonetos em comunicado.

"Uma refinaria não pode funcionar sem seguro, assumir a propriedade sem seguro seria pôr emgrave risco as refinarias; não podemos ser irresponsáveis", afirmou o ministro da pasta Carlos Villegas, no documento enviado à imprensa.

As refinarias foram vendidas US$ 112 milhões por causa do processo de nacionalização do setor de petróleo e gás no país. Enquanto a estatal brasileira continua no comando das unidades, permanece com a receita e os ganhos das empresas. No ano passado, quando a Bolívia assumiu os ativos de distribuição de combustíveis das multinacionais, houve desabastecimento e a YPFB teve de recorrer à Petrobras para normalizar a situação.

"Existem procedimentos que, por solicitação da Bolívia, precisam ser cumpridos. Eles pediram mais tempo para formalizar o negócio", disse o executivo. As refinarias processam cerca de 40 mil barris de petróleo por dia e atendem a todo o consumo.

(Sabrina Lorenzi - InvestNews)

[ 22:21 ]   25/06/2007