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Marcelle Justo, Agência JB RIO - Em menos de uma hora de papo, Giovanna Antonelli repetiu algumas vezes a palavra excessivo. Sempre deixando claro que nada que se relaciona a sua vida vem com essa classificação. Assim como Clarice, sua personagem em Sete pecados, a atriz se diz – e convence – ser uma pessoa normal, dessas que confessam ser sedentárias, adorar chocolates e volta e meia dormir de maquiagem. Coisas prosaicas da vida de qualquer mulher. Isso, no entanto, não a faz comparar sua vida com a da paulistana Clarice, a princípio classe média e que irá se deslumbrar com o dinheiro na nova trama de Walcyr Carrasco. - Por enquanto, ela é uma mocinha que rala. Depois, Clarice e o marido vão ganhar dinheiro e ela vai ficar esnobe, brega. Mas é uma pessoa comum e acho que esse é o primeiro personagem que faço assim na minha carreira - afirma Giovanna. - Assim como na novela, tenho um filho. Mas nunca tenho nada dos personagens. Posso trazer coisas de situações que já vivi, assim como o público se identifica com situações de novelas - diz Giovanna, que não acha que interpretar uma pessoa normal vá mudar a percepção do espectador em relação a ela. - Hoje, o público tem uma participação na vida dos atores muito intensa por conta de revistas. Aonde você vai tem alguém tirando foto. Então, as pessoas sabem que os artistas têm uma vida comum, de ir ao mercado, cuidar de casa - acredita a carioca, que teve como primeiro papel de destaque na Globo a garota de programa Capitu, da novela Laços de família, escrita por Manoel Carlos e exibida em 2001. A primeira diferença, para Giovanna, está na profissão de Clarice: uma doceira de mão-cheia. - Sou péssima na cozinha e ótima organizadora, adoro ser dona de casa. Mas não posso dizer que faço aquela faxina. Na cozinha, então, sou um desastre e não tenho vontade de aprender - admite. - Adoro comer e sou boa de garfo. Às vezes, reúno amigos em casa, gosto do movimento e dou meu apoio moral para quem prepara a comida. Acho lindo - brinca a atriz, que até pensa em descobrir novos talentos na vida. Longe das panelas. - Acho que, ao mesmo tempo em que tenho dom para ser atriz, as pessoas têm os seus - decreta Giovanna, que, aos 14 anos, quando foi escalada para ser uma das angelicats – ajudante de palco da apresentadora Angélica, na TV Manchete – já sabia que aquele poderia ser o passaporte para a desejada carreira de atriz. Como acontece com toda gulosa, as gravações em meio a bolos e doces vem sendo uma tortura. - O cenário da cozinha é um inferno para as atrizes. Você faz dieta o dia todo, mas chega ali no fim do dia e se atraca com aquela mesa - conta. E nada de quilos extras? - Não faço dieta, como o que tenho vontade: tomo café, almoço, janto. Me alimento naturalmente, sem ser radical. Na gravidez, ganhei 20 quilos e depois de um ano perdi tudo. Tive acompanhamento de uma nutricionista, malhei, voltei ao meu peso e vou conservando - resume a atriz, que também recorreu a uma lipo depois da gestação. - Sou sedentária assumida, não gosto de ginástica. Fico buscando uma coisa diferente para me exercitar, mas não tenho paciência. Sou ativa, agitada. Essas coisas de parar, respirar, meditar, não consigo." Diferentemente da sede estética que assola as atrizes, Giovanna está satisfeita com o corpo atual, mas entrega: se tiver que entrar na faca para mudar algo, não terá pudores. - Sou muito a favor. Se na hora você vir que qualquer coisa está te atormentando, deve ir lá, consertar e ser feliz. Põe silicone quem acha bonito peito. Depois da gravidez, fiz a lipo e sou superadepta de fazer qualquer coisa que te faça sentir bem, sem perder a noção. Até agora não tem nada que queira mudar, sou superfeliz comigo, meu corpo, minha cara. Mas, na hora em que tiver que mudar, vou - declara a atriz, que se gaba, apesar dos 31 anos, de ainda não ter um ritual de beleza para o dia-a-dia. - Apenas gosto de um creme bacana - resume. Se Giovanna não perde a noção quando o assunto é vaidade, já foi além ao defender sua privacidade dentro de um shopping carioca. Chateada com a repercussão que o episódio tomou, a atriz se defende. - A invasão ostensiva da intimidade das pessoas é chata. Estava revelando fotos do meu filho (Pietro, de 2 anos, fruto do casamento com o ator Murilo Benício) e tinha um paparazzo fotografando o monitor da loja. Fiz um escândalo. Qualquer um faria - defende-se Giovanna, que, além do ator, já foi casada com Ricardo Medina, sobrinho do empresário Roberto Medina. - O episódio da loja saiu no jornal sem explicar o porquê da minha reação. Essas são as conseqüências da profissão, o lado ruim. Mas o reconhecimento é muito bom e não deixo de fazer nada por causa disso. Se não quiser ser incomodado pelo público, que vá trabalhar em escritório - esbraveja Giovanna. Casada desde o dia 5 de maio com o empresário americano Robert Locascio, Giovanna não viu sua privacidade invadida unicamente no episódio do shopping. Muito se especulou sobre a festa promovida num castelo na região da Toscana, na Itália. - Não falo o que não quero. Mas as pessoas inventam - lamenta. - Procuro fazer coisas boas, sou uma pessoa em paz e tento manter a vida resguardada, o que é mais difícil ainda quando se mora no Rio - acrescenta a atriz, curtindo de longe a nova vida. - Casamento nunca é diferente. Depende, na verdade, da pessoa com quem se casa. O que muda são as relações. Atualmente, estou muito bem - sorri, dando por encerrado o assunto. Sem deixar de dar um detalhe, que pode perturbar ouvidos bisbilhoteiros de plantão. - O Robert ainda está aprendendo português. Nosso papo é todo em inglês - entrega a atriz. - Daqui a dois anos quero ter mais filhos. Antes disso, tirar umas férias, curtir meu marido, organizar a casinha em Nova York e aqui. Agora são duas.
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