Farc podem mandar Granda verificar desmilitarização de províncias

Agência EFE

COLÔMBIA - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se declararam dispostas a delegar a Rodrigo Granda, conhecido como chanceler da organização, que chegou a Cuba na última segunda-feira, o papel de verificador da retirada militar do território que exige para negociar com o Governo um acordo sobre reféns.

Granda pode realizar um trabalho especial com o acompanhamento de testemunhas internacionais e nacionais de organizações populares e parentes dos prisioneiros, anunciou o grupo insurgente, em comunicado divulgado nesta quinta-feira pela internet.

- Se o Governo se comprometer com a liberdade incondicional de Rodrigo Granda e oferecer garantias suficientes para a sua mobilização, de forma que ele possa falar diretamente ao Secretariado, sem escoltas oficiais, nem rádios, nem telefones, consideraríamos sua nomeação como verificador das Farc para a desmilitarização de Florida e Pradera - disse o comunicado do grupo.

A nota, assinada nas montanhas da Colômbia pelo Secretariado (comando central) das Farc, tem data de 18 de junho, dia em que Granda foi para Cuba, com autorização do Governo do presidente Álvaro Uribe, que libertou o rebelde no dia 4 de junho.

Uribe quer que Granda atue como gestor de paz, negociando um acordo que permita a libertação das 56 pessoas que as Farc mantêm em cativeiro, entre elas a franco-colombiana Ingrid Betancourt e três americanos.

Os rebeldes querem trocar os reféns por mais de 500 insurgentes presos, inclusive dois que foram extraditados aos Estados Unidos.

No comunicado, as Farc ratificaram que pactuar a troca de prisioneiros continua sendo uma prioridade.

O comando rebelde acrescentou que a tarefa de Granda e seus acompanhantes deverá ser confirmada pelos guerrilheiros da área das duas localidades, cerca de 50 quilômetros a leste de Cali.

O comando rebelde também destacou o interesse de diferentes setores e Governos do mundo que não caíram na armadilha de Uribe de negar o conflito social e armado e a insurgência revolucionária.

A nota considerou importante a atuação do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a persistência dos emissários da Espanha, França e Suíça, que formam um comitê internacional para facilitar a negociação do acordo humanitário.

O comando das Farc disse que Uribe fracassou em sua tentativa de encurralar o grupo rebelde com sua oferta de libertação em massa de insurgentes presos que renunciem à guerrilha.

- É uma decisão que não pode ser forçada - disse o Secretariado.

Segundo as Farc, para a Colômbia tem sido fatal a torpeza do Governo de negar a existência do conflito e desqualificar o adversário, fechando portas à busca de soluções políticas.

[ 23:57 ]   21/06/2007