Preservativos causam polêmica na Índia

Agência EFE

NOVA DÉLHI - A venda de preservativos com anel vibrador causou tamanha polêmica no estado de Madhya, na região central da Índia, que as autoridades locais pediram hoje ao Governo de Nova Délhi a proibição de todos os brinquedos sexuais, já que podem ter 'severas conseqüências para a sociedade'.

Os preservativos, vendidos por cerca de € 2 há seis meses em pacotes de três unidades, provocaram grande polêmica, principalmente depois de se descobrir que eram fabricados por uma empresa do Governo central, segundo o ministro regional de Bem-Estar Social de Madhya, Kailash Vijayvargiya.

Em carta ao primeiro-ministro, Manmohan Singh, Vijayvargiya pediu a convocação de uma reunião de todos os partidos para proibir a importação e a venda de brinquedos sexuais na Índia, de acordo com a agência indiana 'Ians'.

De acordo com Vijayvargiya, a região de Madhya está voltada para o ensino da ioga, 'em vez da educação sexual do Governo'.

- Os preservativos devem ser usados para o planejamento familiar. Quando são usados para o prazer com dispositivos como vibradores, se tornam brinquedos sexuais, disse Vijayvargiya.

- Sua venda levará a graves conseqüências em nossa sociedade, acrescentou.

O ministro regional disse que a venda do produto, batizado de "Crezendo', ainda não foi proibida, mas que estuda fazê-lo caso o produto não cumpra as especificações legais ou se for determinado que ele contraria a cultura do país.

Um dos distribuidores do 'Crezendo', Mukesh Gupta, negou que o produto seja um brinquedo sexual e o classificou como 'um simples potenciador do prazer que tem uma grande demanda'.

A empresa fabricante, Hindustan Latex, afirmou que não há planos de retirar totalmente o produto, lançado após a constatação de uma redução no uso de preservativos em vários mercados, principalmente devido à 'falta de prazer'.

No entanto, a Hindustan Latex retirará o 'Crezendo' do estado de Madhya caso ele seja proibido pelo Governo regional, segundo fontes da companhia citadas pela agência indiana 'PTI'.

A polêmica se une a outros exemplos de conservadorismo relativos à sexualidade, como a onda de indignação causada pelo beijo do ator Richard Gere no rosto da atriz Shilpa Shetty, e a suspensão das transmissões do canal 'AXN' devido a um programa de 'anúncios eróticos', considerado 'indecente'.

Este mês, duas escolas de Mumbai proibiram ainda que alunos de sexos diferentes se toquem ou se abracem na escola, determinando punições mesmo se o tenham feito por acaso, segundo o jornal 'The Times of India'.

Em abril, o Governo regional do Rajastão proibiu que os alunos do ensino médio recebam aulas de educação sexual previstas em um programa governamental contra a aids financiado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

[ 12:53 ]   21/06/2007