Bancos estimam Selic a 9,75% no final de 2008
SÃO PAULO, 19 de junho de 2007 - A expectativa para o desempenho da economia brasileira tanto para este ano quanto em 2008 é bastante positiva, conforme mostra pesquisa realizada pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). No levantamento, houve melhora na expectativa de crescimento do PIB, redução na estimativa de corte da Selic e também na trajetória do câmbio. A pesquisa, que era mensalmente divulgada pela Febraban, agora passa a sair a cada 40 dias e foi ampliada, incluindo também a estimativa para a Selic nas próximas reuniões do Copom. A divulgação será sempre na semana seguinte à publicação da ata.

´A idéia é captar o sentimento dos bancos, as mudanças nas projeções que ocorrem após a ata, para construir uma curva de expectativa para a taxa Selic e a economia como um todo´, explica Nicola Tingas, economista-chefe da Febraban. ´Os dados apurados nesta primeira pesquisa pós-ata são bastante positivos e mostram a economia brasileira em um círculo virtuoso.

Segundo a pesquisa, em que foram ouvidos 50 bancos, a expectativa é de novo corte de meio ponto percentual no juro básico em julho, que iria a 11,50%, e de mais três reduções consecutivas de 0,25 ponto percentual na taxa, que fecharia o ano a 10,75%. Para dezembro de 2008, a Selic seria de 9,75%.

´Notamos que a grande maioria dos analistas de mercado não revisou suas projeções após a divulgação da ata na semana passada, mantendo portanto a estimativa de meio ponto no próximo Copom´, explica Tingas. Dos bancos pesquisados, 92,3% acreditam em redução de meio ponto em julho e apenas 7,7% ainda crêem na retomada do 0,25 ponto de corte. Já para a reunião de setembro, há ainda alguma divisão de opiniões. Hoje, 57,7% apostam no corte de 0,25 e 38,5% vêem possibilidades de nova redução de meio ponto.

As projeções levantadas pela Febraban apontam para uma estimativa média de crescimento do PIB de 4,27% para 2007 e de 4,13% para 2008. Por setores da atividade econômica, o destaque fica por conta do crescimento esperado pelos bancos para o setor agropecuário, com 4,50% este ano e 4,31% em 2008, seguido por indústria com 4,25% e 4,19%, respectivamente.

As operações de crédito total também continuarão com forte expansão, com uma estimativa de 19,65% de acréscimo este ano e de 18,27% em 2008. A maior parte da contribuição para o crescimento do crédito deve vir das operações de crédito da carteira livre, com alta de 21,20% este ano, segundo estimativa dos bancos.

Em relação ao câmbio, a tendência é de alguma estabilidade na taxa, sempre inferior a R$ 2,00. Na pesquisa Febraban, os bancos apontam dólar a R$ 1,94 em dezembro deste ano e de R$ 1,95 no final do ano que vem.

(Jiane Carvalho - InvestNews)

[ 13:00 ]   19/06/2007