Gaza: membros do Fatah fogem e cidade está sob total controle do Hamas

Agência EFE

GAZA - Os dirigentes e seguidores do Fatah na Faixa de Gaza, território que já está totalmente sob o controle do movimento islâmico Hamas, tentam nesta sexta-feira se esconder ou fugir para o Egito, enquanto na Cisjordânia os islâmicos são detidos e também tentam permanecer ocultos.

As últimas horas foram particularmente dramáticas para os milicianos, oficiais e políticos alinhados com o Fatah, que enfrentam uma caça às bruxas promovida pelos islâmicos.

Muitos dos foragidos são das Brigadas dos Mártires de al-Aqsa e do corpo de Segurança Preventiva (serviços de inteligência). Alguns deles são membros da 'Força 17', encarregada da proteção pessoal do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Militantes do Hamas fazem uma grande campanha de detenções entre os membros dos corpos de segurança da ANP e também entre as fileiras do movimento nacionalista.

Abu Obaid, porta-voz das Brigadas de Ezzedin al-Qassam, grupo dirigido pelo Hamas, disse que vários oficiais e altos comandantes foram detidos, entre eles os comandantes da Segurança Nacional e da unidade de elite da Guarda Presidencial.

Também foram detidas duas autoridades políticas, o secretário do Fatah em Gaza, Maher Hellez, e um de seus porta-vozes, além de um parlamentar e outros seis funcionários.

O porta-voz do Hamas ressaltou que os detidos estão sendo interrogados e afirmou que serão libertados ilesos, em uma 'anistia'

geral promovida pelo movimento islâmico.

O temor em Gaza é que os milicianos mais radicais do Hamas comecem a perseguir os militantes e dirigentes do Fatah como forma de vingança pelas detenções de integrantes do movimento islâmico realizadas pelos nacionalistas em 1996.

Com exceção de um dos corpos de segurança da ANP, a chamada Força Auxiliar, criada pelo Hamas em 2006, todos os demais eram dirigidos por membros do Fatah, e nas fileiras do grupo só eram aceitos membros fiéis aos nacionalistas.

Durante anos, isto gerou uma grande desconfiança e rivalidade por parte dos integrantes do Hamas, e, por isso, alguns deles buscam vingança.

A mesma rivalidade existe em relação à milícia do Fatah que não faz parte dos organismos de segurança, as Brigadas dos Mártires de al-Aqsa.

Na quinta-feira à noite, militantes do Hamas mataram um dos comandantes do grupo após capturá-lo em um posto de controle de estrada no campo de refugiados de Nusseirat.

A Faixa de Gaza vive uma calma aparente, com bandeiras do Hamas nos principais prédios governamentais que até alguns dias atrás pertenciam a instituições governadas pelo Fatah.

Testemunhas descreveram a destruição na Cidade de Gaza, especialmente no bairro Rimal, onde até quinta-feira estavam os escritórios da Presidência da ANP, antes de caírem nas mãos do Hamas.

As ruas estão sendo patrulhadas exclusivamente por militantes islâmicos e seus aliados dos Comitês Populares de Resistência, enquanto seguidores do Hamas estão concentrados em diferentes pontos do território para celebrar a vitória.

Após perder o controle de Gaza, Abbas anunciou a dissolução do Governo de união nacional formado em março e declarou estado de emergência em todos os territórios palestinos.

A medida foi rejeitada pelo primeiro-ministro, Ismail Haniyeh, que disse que a decisão foi 'precipitada e sem pensar nas conseqüências'.

- A participação do Hamas no Governo foi decidida pelo povo em eleições livres. Por isso, o atual Governo continuará funcionando e não deixará seus postos nem será eximido de sua responsabilidade - disse Haniyeh.

A legislação palestina não traz soluções claras. Com isso, a Cisjordânia continua sob autoridade de Abbas, e, desde a madrugada, a Faixa de Gaza é controlada pelo primeiro-ministro.

A situação não só traz várias dúvidas para os palestinos, mas também para Israel, que quinta-feira à noite pediu que a comunidade internacional considere a existência de duas entidades palestinas: uma em Gaza, governada pelo Hamas, e outra na Cisjordânia, liderada pelo Fatah.

Um porta-voz do movimento islâmico, Fawzi Barhoum, disse que o Hamas tem interesse em manter os contatos entre as instituições de Governo em Gaza e Israel para poder 'atender às necessidades da população civil'.

Israel abastece Gaza com água e eletricidade e controla todas as fronteiras pelas quais entram os medicamentos, alimentos e combustíveis.

O escritório do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse que 'não considera a possibilidade de entrar em Gaza com tropas'.

No entanto, não mencionou se colaborará com o Hamas, organização com a qual até agora se nega a dialogar, mas que já controla o lado mediterrâneo e mais de um milhão de habitantes.

Abbas deve anunciar um Governo de emergência dirigido por Salam Fayyad ainda nesta sexta-feira.

O anúncio deve ser feito nas próximas horas, e atualmente está sendo estabelecida a lista de ministros do novo Governo interino da ANP, confirmou o assessor presidencial Nabil Amre.

Apesar disso, o Hamas já rejeitou categoricamente a nomeação de um novo primeiro-ministro da ANP.

[ 12:08 ]   15/06/2007