|
Agência EFE AUSTRÁLIA - O Dalai Lama, em sua visita à Austrália, acusou a China de cometer um genocídio cultural no Tibete e previu que a cultura tibetana desaparecerá se não for estabelecida uma autonomia da província. - Proposital ou não, está ocorrendo um genocídio cultural - disse o líder espiritual tibetano exilado, em entrevista coletiva. Ele acrescentou que a população de origem étnica tibetana representa apenas um terço do total do Tibete. O Prêmio Nobel da Paz, de 71 anos, explicou que sem uma população tibetana, a língua e a cultura tibetanas desaparecerão em menos de 15 anos. O Dalai Lama vive no exílio desde que a China tomou o controle do Tibete, em 1959. Ele disse a alguns jornalistas chineses presentes na conferência que é necessário criar uma relação de confiança e harmonia entre as duas partes para resolver o conflito. - A China deveria dar ao Tibete uma autonomia consentida, porque temos uma língua distinta, com uma cultura e um patrimônio e uma tradição budista - indicou o Dalai Lama. Ele explicou que sua figura tem uma popularidade surpreendente entre os chineses e que no entanto, para o Governo, continua sendo considerado um inimigo do Estado. Assim, os seus apelos para a autonomia do Tibete são distorcidos e tratados como uma antecipação para a independência, denunciou. Durante sua visita à Austrália, o Dalai Lama insistiu também na necessidade de proteger o meio ambiente do Tibete, onde nascem os riachos que alimentam grandes rios da Ásia, como o Amarelo e o Ganges. A visita do Dalai Lama criou polêmica na Austrália. O primeiro-ministro, John Howard, recebeu o líder tibetano para uma reunião, o que motivou um protesto oficial do Governo chinês. A primeira-ministra da Nova Zelândia, Helen Clark, não confirmou se vai se reunir com o Dalai Lama na próxima semana. Os dois se encontraram nesta quinta-feira por acaso no aeroporto de Brisbane. A viagem do Dalai Lama começou no último dia 6 em Perth, capital do estado da Austrália Ocidental. Ele chegará à Nova Zelândia no dia 17 de junho.
|