Distrito Federal tem maior número de crianças no mercado

Agência Brasil

BRASÍLIA - Depois de 14 anos de queda contínua, o número de crianças e adolescentes, entre 5 e 15 anos, no mercado de trabalho aumentou no Distrito Federal. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD).

De acordo com a pesquisa, em 2005 o DF apresentou acréscimo de 4,7 mil crianças no trabalho infantil. Os dados indicam que 1,6% da população nessa faixa etária (aproximadamente 7,5 mil) trabalha, principalmente, no setor informal urbano e no trabalho doméstico. O Distrito Federal é a unidade da federação com o menor índice. Todavia, nós temos aqui dois tipos de trabalho infantil absolutamente perigosos, que são o trabalho infantil informal e o doméstico, pela dificuldade de se detectar e de se combater, explica a promotora do Ministério público do Trabalho Valesca Monte. Com o objetivo de eliminar o trabalho infantil no DF e conscientizar a sociedade, está sendo realizado o Fórum do Distrito Federal de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e de Proteção ao Trabalhador Adolescente. O encontro começou ontem (11) e vai até sexta-feira (15). Em 2004, nós já temos a assinatura do governador, na época o Roriz, no termo de compromisso de erradicação do trabalho infantil. Só que o que vimos é que em 2005, após 14 anos de queda contínua, houve um aumento desse número. Daí a preocupação do fórum em fazer uma repactuação, afirma Valesca Monte. Um novo termo de compromisso será assinado nesta manhã no Conjunto Cultural da República. A promotora lembra da relação existente entre a evasão escolar e o trabalho precoce e fala da importância da educação no combate do trabalho infantil. O trabalho precoce está diretamente relacionado à evasão escolar. Ou nos casos em que as crianças continuam na escola, são crianças que, muitas vezes, costumam trabalhar no contra-turno. Daí a necessidade de se investir na educação. Não somente no horário escolar, mas também no horário que ela sai da escola, com atividades extracurriculares relacionadas a esporte, artes, para que essa criança não seja estimulada a trabalhar mesmo estando na escola. Até porque nós sabemos que muito pouco vale você, simplesmente, sentar no banco escolar se você não tem toda uma infra-estrutura positiva atrás de você, que lhe permita estudar o que lhe foi ensinado na parte da manhã ou na parte da tarde, pondera.

[ 07:35 ]   12/06/2007