Bebês têm inteligência parecida com a de cachorros, diz pesquisa

Agência JB

LONDRES - Cachorros podem apresentar os mesmos níveis de inteligência de um bebê de 14 meses, de acordo com pesquisa realizada na Universidade de Viena e publicada na revista 'Current Biology'. Os cientistas fizeram testes físicos com bebês e cachorros separadamente e descobriram resultados semelhantes.

Num primeiro momento, os pesquisadores analisaram várias crianças de 14 meses, que, individualmente, observavam sentadas quando a mãe entrava no quarto carregando um cobertor com as duas mãos. Em seguida, as mães usaram a testa para acender a luz num interruptor. Quando chegou a vez de as crianças acenderem a luz, elas usaram as mãos e não a cabeça.

Segundo os analistas, os bebês perceberam que suas mães só haviam usado a testa porque estavam com as mãos ocupadas. Os cientistas dizem que os testes provaram que em vez de copiarem cegamente as mães, os bebês analisaram o que viram e perceberam que suas mãos eram certamente mais apropriadas para a tarefa.

A segunda etapa do estudo foi realizada com cães. Os pesquisadores realizaram testes semelhantes para checar se eles reagiriam da mesma forma. Sabendo que cachorros normalmente usam a boca para locomover objetos, os estudiosos treinaram a cachorra Guinness, da raça Collie, a empurrar uma barra de madeira com as patas enquanto carregava uma bola na boca. A cadela percebeu que, se assim o fizesse, ganharia comida.

Em seguida, Guinness realizou a tarefa diante de dois grupos. Para o primeiro, empurrou a barra com patas e bola na boca e, para o segundo, com a boca vazia. Um terceiro grupo de cães, que não assistiu à ação de Guinness, foi deixado livre para agir como quisesse.

Como esperado, 12 dos 14 cachorros empurraram a barra com a boca. Em seguida, o grupo de 19 cachorros que havia visto Guinness empurrar a barra com as patas e a boca vazia, testaram o equipamento. Os pesquisadores constataram que 83% a imitaram, certos de que essa era a chave para receber a comida.

Mas a revelação veio quando os 21 cães, que a viram empurrar a barra com a bola na boca, não repetiram a ação. De acordo com os estudiosos, 80% deles usaram a boca para empurrar a bola. Assim como os bebês, os cães perceberam que Guinness só havia usado as patas porque estava com a boca ocupada.

- A transmissão do saber cultural requer que aprendizes identifiquem qual informação deve ser retida e imitada seletivamente quando observam as habilidades dos outros - afirma a pesquisadora Friederike Range, que liderou pesquisa.

- Crianças já haviam demonstrado essa habilidade - disse.

- A surpresa foi constatar que cachorros também fazem a imitação seletiva, sem repetirem o que vêem indiscriminadamente. Se imitam ou não, depende do contexto - conclui a pesquisadora.

(Com BBC Brasil)

[ 16:50 ]   11/06/2007