Abbas quer declarar estado de emergência devido aos choques em Gaza

Agência EFE

GAZA - O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, propôs a declaração de estado de emergência em Gaza após se reunir nesta quinta-feira com o primeiro-ministro, Ismail Haniyeh, com a retomada dos confrontos entre suas respectivas facções, o Fatah e o Hamas.

A instabilidade e a persistência dos ataques palestinos contra o sul de Israel, principalmente a cidade de Sderot, também gera entre os palestinos o temor de uma nova invasão militar israelense ou punições como a redução do fornecimento de eletricidade e água que empresas do país vizinho vendem à Faixa de Gaza.

O ministro israelense sem pasta Yitzhak Cohen disse à rádio pública que as punições fazem parte de um programa de possíveis reações que serão estudadas pelo Gabinete de Segurança no domingo em Jerusalém.

Depois de acertar, na noite de quarta-feira, o quarto cessar-fogo da semana, e de uma madrugada sem incidentes, fontes islamitas divulgaram a morte de um de seus militantes, desaparecido há dois dias no campo de refugiados de El Bureij, e de um guarda da Universidade Islâmica (bastião do Hamas) ferido por um franco-atirador do Fatah.

Por sua vez, o Fatah acusou os islamitas do seqüestro de cinco membros da Segurança Preventiva. Na quarta-feira, partidários do Hamas mataram seis guarda-costas do chefe do organismo secreto, Rashid Abu Shbak, num ataque contra sua residência.

Além disso, fontes do Fatah informaram que milicianos do Hamas, vestidos com o uniforme do rival, estão parando veículos na cidade de Gaza e exigem documentos de identidade de motoristas e passageiros para verificar em um computador se são 'pessoas procuradas' pelos islamitas.

Um desenhista da imprensa palestina - que estampa os choques sangrentos em manchetes de 'desastre' - representa o futuro Estado palestino como um barco afundando, no jornal 'Al Quds'. Em outra charge, palestinos que combatem e regam com sangue um cacto de onde surge uma bandeira israelense, no jornal 'Al-Hayat'.

O Hamas divulgou um documento que registra 12 violações da trégua acertada na noite de quarta-feira entre Abbas e Haniyeh, e culpa milicianos do Fatah e forças de segurança da Autoridade Nacional Palestina (ANP) do presidente Abbas.

O Exército israelense posicionou nesta quinta-feira quatro tanques e duas escavadeiras na área de Abu Safye para estabelecer uma torre de vigia, uma 'operação de rotina', segundo fontes militares.

No dia anterior em Gaza morreram pelo menos 20 palestinos, na maioria membros do Fatah, segundo fontes da segurança. Ao mesmo tempo, cresce a impressão de que os disciplinados combatentes do Hamas derrotarão os rivais.

Na cidade israelense de Sderot, cerca de 7 quilômetros ao norte de Gaza, cerca de 200 habitantes foram transferidos hoje para outros pontos do país. Os edifícios eles onde moram não têm abrigos e a devida proteção.

Apesar da tensão entre si, os milicianos do Hamas, do Fatah e da Jihad Islâmica assumiram hoje a responsabilidade sobre os 13 foguetes Qassam disparados de Gaza, a maioria deles em direção a Sderot, de 25 mil habitantes.

Os projéteis, montados em oficinas metalúrgicas improvisadas de Gaza, constituem uma ameaça potencial para as 38 localidades do sul de Israel, na grande maioria rurais. Em uma delas, Shaar HaNeguev, caiu um deles hoje, ferindo dois civis.

Em Sderot, onde 97% dos habitantes exigem que o Governo invada a Faixa de Gaza para impedir os ataques, os Qassam não causaram vítimas, mas sérios prejuízos.

[ 09:59 ]   17/05/2007