|
REUTERS PEQUIM - Mulheres e crianças da China estão cada vez mais suscetíveis a serem vendidas para o casamento ou a prostituição, um risco agravado pelo êxodo rural e pelo desequilíbrio de gêneros, disse uma ONG internacional nesta quarta-feira. Nascem na China 119 meninos para cada 100 meninas, um desequilíbrio que cresceu desde a adoção da política do filho único, há mais de 25 anos, o que ampliou a tradicional preferência por meninos, o que resulta em abortos e abandono das meninas. - A falta de meninas para casamento no leste e nas áreas rurais está alimentando uma demanda por bebês do sexo feminino para serem criadas como futuras noivas para os filhos dos agricultores que estão mais bem de vida. - disse Kate Wedgewood, diretora da ONG Save the Children, ao Clube de Correspondentes Estrangeiros. Por causa do rígido planejamento familiar, deve haver em 2020 um excesso de 30 milhões de homens em idade de casar, segundo a imprensa estatal. Segundo Wedgwood, muitas famílias pobres de áreas rurais relutam em registrar filhos que excedam à cota, o que deixa essas crianças vulneráveis ao tráfico e à exploração por autoridades locais que incentivam os pais a entregarem os bebês em troca de uma anistia na multa. O êxodo rural também induz ao tráfico humano, tanto dos trabalhadores que vão para as grandes cidades quanto das crianças deixadas para trás. - O número de mulheres e crianças de regiões pobres e subdesenvolvidas que migram por emprego, mas acabam sendo seqüestradas e traficadas, vai continuar crescendo. - alertou Wang Jinling, pesquisador da Academia Zhejiang de Ciências Sociais, em texto acadêmico. - Algumas delas serão vendidas e casarão, outras serão forçadas a se tornarem criminosas, como prostitutas e traficantes. - escreveu Wang. O governo registrou 2.500 casos de tráfico humano em 2006 na China, mas isso inclui apenas os casos resolvidos, e não todos os denunciados.
|