CIDADE DO VATICANO - Apesar do silêncio mantido pelos 115 cardeais que participaram do conclave que elegeu o cardeal alemão Joseph Ratzinger o papa Bento XVI, alguns vaticanistas afirmam que houve um impasse durante as eleições e ele não teria sido o preferido na primeira votação, que acabou com o anúncio da fumaça preta.
Segundo os estudiosos, o preferido teria sido o italiano Carlo María Martini, que não aceitou assumir como sucessor de João Paulo II. Ele teria então, convencido o grupo que lhe apoiava a escolher Ratzinger, caso o cardeal alemão concordasse em realizar mudanças previstas no Concílio Vaticano II.
Alguns vaticanistas acreditam que o cardeal alemão tenha sido eleito com cerca de 100 votos na quarta votação, a primeira da tarde de terça-feira, quando a fumaça branca anunciou a escolha do novo papa.
As mudanças já foram percebidas na comparação entre as homilias da missa que abriu o conclave e a que o encerrou. Na primeira, ele afirmou que gostaria que o próximo papa fosse um peregrino e criticou o chamado modismo da fé e o relativismo autoritário. Na missa, que celebrou já como Bento XVI, o religioso disse que a prioridade da Igreja é a reconciliação a fé cristã e o diálogo com outras religiões.
Hoje pela manhã, o arcebispo de São Paulo, Claudio Humes, que foi um dos 115 cardeais que escolheram o novo papa, afirmou que entre as mudanças que seriam realizadas por Bento XVI, que consta no Concílio Vaticano, seria a de dar um maior poder aos bispos. '' A Igreja não é uma democracia, mas uma comunhão, e todos os cardeais estão em comunhão'', afirmou Humes.