Ciclo de Eventos na Alerj debate democratização na informação

RIO - A democratização da informação foi o principal tema discutido no Ciclo de Eventos Ano das Metas do Milênio, que começou nesta quarta-feira, na Alerj. O debate, em video-conferência, contou com a participação do representante oficial do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil (PNUD), José Carlos Líbanio, do presidente do Centro de Informações e Dados do Rio de Janeiro (Fundação Cide), Ranulfo Vidigal, e do presidente do Observatório Urbano do Estado do Rio de Janeiro, professor Cézar Onorato. Os participantes chamaram a atenção para a importância crucial desta questão para que as metas sejam atingidas. O debate foi presidido pela diretora da Escola do Legislativo Fluminense, Jackeline Marins e foi acompanhado pelas Assembléias Legislativas de Santa Catarina, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná, Rondônia, Rio Grande do Sul, São Paulo e Sergipe e também pelo Senado Federal. Além deles, participou o deputado Noel de Carvalho (PMDB), líder do Governo na Alerj.

Líbanio lembrou que a missão do PNUD é erradicar a pobreza, buscar o desenvolvimento humano sustentável e reduzir as desigualdades. Segundo ele, o último tema é o de maior valor para o Brasil, que, segundo ele, "é o país com maior desigualdade social da América Latina". Além disso, o representante da ONU tem a esperança de que as metas sejam cumpridas até 2015. "Este ano é especial, pois inicia-se a contagem regressiva para 2015. A nossa geração deve deixar um mundo melhor do que aquele que encontramos", afirmou.

A participação dos estados e municípios no alcance das metas é fundamental para a ONU. No entanto, ressaltou o representante da Fundação Cide, Adolfo Freire, é preciso que a capacidade de discussão de cada um deles seja ampliada por meio da democratização da informação. Ele acrescentou que, no Brasil, ainda é um trabalho muito árduo colher dados sobre os municípios. De acordo com Líbanio, informação é pré-condição para um bom governo. "Governar bem é planejar e planejar é ter informação", afirmou. Segundo ele, a ONU pode auxiliar os municípios fornecendo conhecimentos técnicos para o gerenciamento da informação e também apoio político: "Só dando formação consistente é que poderá aumentar o desenvolvimento".

A possibilidade de um livre acesso aos dados é uma das preocupações do Observatório Urbano. O centro de pesquisa, que surgiu da iniciativa da Uerj e da Fundação Cide, dá atenção também à dicotomia existente entre o mundo acadêmico e as políticas públicas. "É preciso pensar políticas públicas com sofisticação teórica. Para isso temos que romper com nossas vaidades acadêmicas", assegurou Onorato, presidente da entidade.

Já o presidente da Fundação Cide acredita na decisiva contribuição do Rio, para o cumprimento dos objetivos planejados pelas Nações Unidas em 2000. "O Rio de Janeiro concentra 40% da produção de pesquisa do país e irá alavancar a discussão quanto às desigualdades", acredita Vidigal .

Para Jackeline Marins, o debate foi importante para a localização dos problemas e para pensar soluções. Uma delas é a participação do poder público nessas questões. "Existe a necessidade de um núcleo permanente de pessoas na esfera pública que sejam capazes de centralizar essas informações e utilizá-las em favor da sociedade", explicou.

Rio de Janeiro


[19:48] [09/03/2005]