PARIS - O Clube de Paris, que agrupa as principais nações credoras do mundo, anunciou hoje ''uma moratória imediata e incondicional'' da dívida externa de Indonésia, Sri Lanka e Ilhas Seychelles, três dos países devastados pelo maremoto de 26 de dezembro.
Anteriormente, o ministro francês de finanças, Hervé Gaymard, se reuniu com delegados do Clube, convidando a todos a aprovar uma "moratória sobre os pagamentos devidos em 2005, que entraria em vigor imediatamente e sem interesses". "Cada país é livre, porém, para aceitar ou não a proposta", declarou o ministro francês de finanças, Hervé Gaymard.
Para os países ricos, que multiplicaram suas iniciativas em favor das nações afetadas, a moratória representa apenas a primeira etapa, sem desprezar medidas complementares que possam ser, futuramente, consideradas necessárias.
As outras nações afetadas pelos tsunamis de 26 de dezembro, como Tailândia e Malásia, têm um nível de endividamento menos elevado e não querem que sua posição econômica seja prejudicada nos mercados financeiros internacionais.
O perdão da dívida, para esses países, poderia pressionar um rebaixamento da moeda nacional dos países pelas agências de classificação de riscos e afetar os investimentos estrangeiros nestes países à uma condição menos viável.
Entretanto, as ONGs internacionais crêem que apenas uma moratória tempóraria e uma reestruturação na dívida destes países seja insuficiente. Cerca de 50 manifestantes exigiam, em frente ao prédio do ministério francês de finanças, onde acontecem as reuniões do Clube de Paris, a anulação completa da dívida dos países afetados pela tragédia e a convocação imediata de uma conferência da ONU para definir os próximos passos.
No último dia 7 de janeiro, o G7, grupo formado pelos países mais industrializados do mundo (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), também defendeu a moratória como medida mais eficaz para ajudar os países do sudeste asiático.
Em um comunicado liberado durante uma reunião do grupo, o G7 diz que não poderá esperar pagamentos de débitos dos países atingidos "até que o Banco Mundial e o FMI tenham acesso a uma avaliação completa sobre a reconstrução e pedidos de financiamento, reconhecendo os países que podem não ter condições de realizar os pagamentos".
Com agências internacionais.