GENEBRA, SUÍÇA - Um milhão e meio de crianças e adolescentes afetados pelas conseqüências da catástrofe no sudeste asiático formam a chamada Geração Tsunami, já que sofrerão as seqüelas durante anos, advertiu nesta terça-feira o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Entre as conseqüências para milhares de crianças e adolescentes estão os ferimentos, a morte dos pais ou de outros parentes e a perda de moradia, o que faz com que algumas estejam vivendo em condições precárias, afirmaram os especialistas do organismo da ONU.
A diretora executiva do Unicef, Carol Bellamy, advertiu poucos dias depois da tragédia sobre a probabilidade de milhares de crianças terem sido separadas de seus pais e pediu atenção prioritária para a questão.
''É difícil imaginar o medo, a confusão e o desespero das crianças que viram como enormes ondas levou o mundo delas e deixou no lugar cadáveres flutuando no litoral'', disse Bellamy em comunicado no qual lembrou que ''algumas crianças perderam tudo que conheciam, desde seus pais, irmãos e amigos até suas casas, escolas e vizinhança''.
Bellamy pede agora ''quatro grandes medidas básicas para dar uma oportunidade a essa devastada geração tsunami'' para que possam viver o melhor possível.
Essas medidas incluem água potável, alimentos e atendimento médico; a retomada do contato com parentes; a volta às suas comunidades de origem; a prevenção contra qualquer tipo de exploração; e por último a urgente reintegração na escola e tratamento especial para evitar que sofram traumas.
O representante do Unicef, que está na região afetada, indicou em comunicado que mais de uma semana após a tragédia ''cada dia que passa agora é crítico'' para atender às necessidades da população infantil.
A porta-voz do Unicef em Genebra, Wivina Belmonte, afirmou que milhares de crianças nas regiões afetadas da Tailândia, incluindo a devastada ilha de Phuket, retornaram hoje às aulas.
''Obviamente não são as mesmas escolas de antes, algumas estão agora em improvisadas tendas de campanha e outras em condições ainda mais básicas e evidentemente há muitos menos alunos, já que alguns simplesmente não estão mais lá'', disse Belmonte.
''A escola é o lugar ideal para as crianças superarem o trauma que enfrentaram com seus parentes na última semana'', acrescentou a porta-voz.
Belmonte admitiu que o Unicef ''subestimou'' inicialmente a incidência da catástrofe sobre a população infantil e disse que a princípio ''pensou-se que um terço da população fosse de crianças''.
''Não temos um número exato'', disse a porta-voz do Unicef. ''Mas achamos que um milhão e meio de crianças foram atingidos de uma ou outra maneira pelo desastre'', disse a porta-voz.
A representante do Unicef acrescentou que Bellamy, que visitou nos últimos dias o Sri Lanka e agora está na Indonésia, constatou que ''muitos pais ainda andam desesperadamente pelo litoral em busca de seus filhos''.
Agência EFE