CAIRO - Dezenas de pessoas foram nesta sexta-feira à mesquita mais importante do Cairo para homenagear Yasser Arafat e protestar contra o fato de não terem participado do funeral dele.
Depois da oração do meio-dia, os fiéis reunidos na mesquita de Al-Azhar começaram a lembrar o líder palestino. "Você sempre estará em nossa alma, presidente. Você é um de nossos heróis", gritava a multidão, que carregava retratos de Arafat e bandeiras palestinas e egípcias.
À frente da manifestação, o líder do partido de oposição Nasserista, Kemal Abu Aitha, criticava o presidente do Egito, Hosni Mubarak, por não ter permitido que os egípcios participassem do funeral.
A multidão levantava voz contra o governo americano e contra Israel e dizia que "o Egito não deve ser um agente dos Estados Unidos".
Desde setembro de 2000, quando começou a segunda Intifada, a mesquita de Al-Azhar, fortemente vigiada pelas autoridades egípcias, foi palco de várias manifestações a favor da luta dos palestinos.
Os protestos foram mais intensos nos primeiros meses, principalmente em abril de 2001, quando os tanques israelenses encurralaram Arafat, ameaçaram sua vida e o confinaram na Muqata, de onde só saiu três anos depois para morrer.
No Cairo, onde Arafat teria nascido há 75 anos, foi realizado nesta última sexta-feira do Ramadã um funeral militar de Estado, ao qual assistiram mais de 15 presidentes e mais de 40 delegações diplomáticas de todo o mundo.
Depois da cerimônia, o corpo de Arafat foi transportado por um helicóptero do exército do Egito até Ramala, onde foi recebido por uma multidão de palestinos e por fim enterrado na Muqata.