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Internacional

Líderes israelenses se manifestam e exército cerca territórios

Esther Martín

JERUSALÉM - O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, acerdita que a morte de Yasser Arafat pode representar um "ponto de inflexão no Oriente Médio".

A manifestação pública de Sharon foi a primeira depois da morte de Arafat na madrugada passada. Nela, o primeiro-ministro não mencionou o presidente palestino, fazendo referência aos eventos recentes.

"Espero que a nova liderança entenda que o progresso em nossas relações e a resolução dos problemas dependem, em primeiro lugar, do fim do terrorismo e dos esforços sérios e reais para combater os grupos que atuam a partir dos seus territórios (da Aliança Nacional Palestina)", acrescentou o governante israelense.

Israel não emitirá um comunicado oficial em reação à morte de Arafat, disse o diretor do Escritório de Imprensa do governo, Daniel Seaman. Mas, a primeira reação foi a do ministro israelense da Justiça, Yosef (Tomy) Lapid, afirmando que "odeia, embora não pessoalmente, o líder palestino pela morte de israelenses e por impedir o avanço do processo de paz", estagnado há quatro anos.

O presidente do Estado, Moshé Katsav, disse esperar que depois da morte de Arafat "os palestinos se recuperem de sua tristeza e escolham uma nova direção, capaz de benefíciá-los".

O presidente do Partido Trabalhista, Shimon Peres, disse que "Arafat errou ao optar pelo terrorismo para ser popular em vez de seguir o caminho da paz".

Já o ex-primeiro-ministro trabalhista, Ehud Barak, disse que "a liderança de Arafat foi uma tragédia para seu povo e para nós".

Enquanto isso, o ministro israelense da Defesa, Shaul Mofaz, prevendo tumultos por causa do sepultamento de Arafat em Ramala, ordenou hoje que o exército fizesse um forte cerco aos territórios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza.

"O cerco geral na Cisjordânia e em Gaza nesta manhã foi uma decisão tomada pela cúpula política por causa das avaliações sobre a segurança", explicou as Forças Armadas israelenses em um comunicado emitido hoje.

Fontes policiais disseram que Jerusalém foi cercada e está proibido o acesso à Esplanada das Mesquitas de Omar e Al-Aqsa.

Não se sabe qual será a decisão das autoridades policiais amanhã, na último sexta-feira do mês do Ramadã, quando está prevista a ida de 200 mil fiéis ao local sagrado.

Já foram registrados alguns tumultos na estrada que liga Jerusalém à cidade de Hebron, na Cisjordânia, onde palestinos jogaram pedras contra um ônibus israelense e patrulhas militares.

As forças de segurança aumentaram a vigilância ao redor dos assentamentos judaicos nos territórios ocupados e dobram sua presença nos postos de controle na Cisjordânia, especialmente nas imediações e acessos a Ramala.

O governo israelense decidiu ontem autorizar a ida de mil funcionários palestinos da Faixa de Gaza ao enterro na Cisjordânia.

Em virtude do plano aprovado por Mofaz, chamado 'Nova Página', as tropas israelenses se preparam para enfrentar qualquer ato de violência que possa surgir pelas demonstrações de dor diante da morte de Arafat. Os efetivos de segurança, no entanto, têm instruções precisas de não manter contatos desnecessários com a população palestina.

Nas próximas horas, está prevista a chegada de autoridades estrangeiras à região, e Israel permitirá seu acesso pela ponte Allenby, que liga o território jordaniano à Cisjordânia. Os governantes que aterrissarem no aeroporto Ben Gurion, ao sul de Tel Aviv, também serão levados até Ramala, disseram fontes de segurança.

O ministério de Relações Exteriores de Israel supervisionará as autorizações para a entrada dos representantes de países árabes, e foi decidido que as autoridades vindas de países inimigos chegarão em Ramala pela ponte Allenby.

"Não podemos permitir que alguém como [o dirigente líbio, Muamar al] Gadafi aterrisse no aeroporto Ben Gurion", disseram as fontes de segurança.

O serviço carcerário israelense despachou agentes de elite e vigilantes para as prisões espalhadas por todo o país, onde mais de 7 mil palestinos cumprem pena.

Agência EFE

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[11/11/2004] [13:42]


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