Trio da velha-guarda de Fatah se compromete com processo de paz

Carmen Postigo

JERUSALÉM - O governo interino palestino está em mãos de um trio da velha-guarda do movimento al-Fatah composto por Ruhi Fatuh, Ahmed Qorei e Mahmoud Abbas, que já se comprometeram com o processo de paz, mas exigem que a capital da Palestina seja Jerusalém.

O presidente do Conselho Legislativo Palestino, Ruhi Fatuh, jurou seu cargo como presidente interino da Autoridade Nacional Palestina (ANP) pouco antes de o ex-primeiro-ministro palestino, Mahmoud Abbas, ter sido eleito presidente do Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Por sua vez, o atual primeiro-ministro, Ahmed Qorei, controla a ANP e segue à frente do Conselho de Segurança Nacional.

Ambos mantêm boas relações com Israel e com os Estados Unidos.

A única cerimônia solene na sucessão de Arafat foi realizada hoje em Ramala com o juramento do novo presidente palestino.

Fatuh jurou seu cargo como presidente da ANP depois das 12h local (8h de Brasília) diante do retrato de Arafat. Ele se comprometeu "com o processo de paz e uma solução justa", e com a aspiração palestina de "Jerusalém como capital".

Antes do juramento foi guardado um minuto de silêncio pela alma de Arafat. Estavam presentes no ato Mahmoud Abbas e Ahmed Qorei e a maior parte dos ministros palestinos.

Todos eles são veteranos membros do al-Fatah, viveram no exílio e regressaram aos territórios com Arafat em 1994, por isso pertencem ao chamado 'clã da Tunísia'.

Ruhi Fatuh declarou que será presidente provisório durante os 60 dias em que serão convocadas eleições gerais, como estabelece a Lei Básica.

"Arafat morreu lutando pela liberdade dos palestinos e seus direitos", disse. Ele o classificou como "um dos líderes mais importante do mundo na luta pela liberdade".

Visivelmente emocionado, Fatuh lembrou batalhas desde Karama até Beirute, e a última da Muqata. "Arafat deu cada minuto de sua vida à causa palestina". E lembrou que Arafat foi quem declarou a independência do Estado palestino e que foi eleito democraticamente.

Reiterou seu compromisso com o processo de paz, com uma solução justa, e pediu uma maior implicação da comunidade internacional no processo, enquanto reafirmou as aspirações palestinas de ter Jerusalém como capital.

O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, avaliou que a morte de Arafat pode supor um "ponto de inflexão no Oriente Médio".

"Espero que a nova liderança entenda que o progresso em nossas relações e a solução dos problemas depende em primeiro lugar do fim do terrorismo, e dos esforços sérios e reais para combater o terrorismo que opera desde seus territórios (ANP)", acrescentou o governante israelense.

Internacional


[12:45] [11/11/2004]