Bush tem nova oportunidade na mediação do conflito

WASHINGTON - O presidente americano, George W. Bush, tem, após sua reeleição, uma nova oportunidade para avançar na mediação do processo de paz do Oriente Médio com a morte de Yasser Arafat, que era considerado um obstáculo aos entendimentos. O presidente americano, manifestou publicamente suas condolências ao povo palestino depois do falecimento do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) durante a madrugada, participou, com Israel, do isolamento diplomático do veterano líder palestino ao mesmo tempo que tentava promover sua libertação com dirigentes moderados.

A posição do atual Governo americano coincidia com a do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, que acusava Arafat de não fazer o suficiente para impedir os atentados contra a população do país vizinho. Desde a invasão do Iraque, em março de 2003, o governo americano reiterou que o fim do regime ditatorial de Saddam Hussein abriria espaço para a democratização e para o processo de paz da região, para os quais o conflito palestino-israelense é considerado um dos principais obstáculos.

Agora, Washington tem a oportunidade de provar que tanto a convocação de eleições no Iraque como o apoio aos novos dirigentes palestinos podem contribuir para que se chegue à paz e à segurança no Oriente Médio.

Até o momento, os Estados Unidos não divulgou que autoridade deve representar o país no funeral organizado pelo Egito no Cairo para permitir que os governantes e líderes estrangeiros, assim como seus aliados possam homenagear o líder, que durante quarenta anos personificou as aspirações de independência dos palestinos, antes de seu enterro na Muqata de Ramala.

''Esperamos que o futuro traga paz para o povo palestino e o cumprimento de suas aspirações para uma Palestina independente, democrática e que esteja em paz com seus vizinhos'', afirma Bush em comunicado divulgado pela Casa Branca. O presidente americano pede à região do Oriente Médio e a todo o mundo que ajude neste processo de transição para alcançar os objetivos citados e, finalmente, a meta da paz após a morte do presidente da Autoridade Nacional Palestina.

Amanhã, Bush deve se reunir com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, com quem abordará a situação no Oriente Médio e o novo cenário que se desenha, difícil de prever até que seja concluída a transição de poder na ANP, que pode ficar com lideranças moderadas ou radicais, bem como a situação no Iraque.

A conferência sobre o Iraque entre alguns dos principais países da região e organismos supranacionais, como a ONU, o G-8, a Liga Árabe, a União Européia, entre outros, no Egito, nos dias 22 e 23 deste mês, pode estabelecer um ponto comum para o avanço no processo de paz na região, caso a presença da maioria dos convidados seja confirmada.

Depois de sua reunião com o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, ontem, Bush manifestou sua esperança de que a nova liderança palestina possibilite avanços para um acordo de paz no Oriente Médio. Haverá uma oportunidade para a paz quando a liderança do povo palestino der um passo e pedir ajuda na construção de uma sociedade democrática, assegurou Bush, prometendo a colaboração dos EUA.

''Neste momento, os Estados Unidos estarão mais que disposto a ajudar a construir as instituições necessárias para que surja uma sociedade livre, de modo que os palestinos possam ter seu próprio Estado'', acrescentou. O secretário de Estado americano, Colin Powell, no México, falou por telefone na terça-feira com o ministro de Assuntos Exteriores palestino, Nabil Shaath, para tratar da transição na ANP.

O porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, explicou que Powell e Shaath falaram sobre a situação e os planos que estão sendo feitos entre as lideranças palestinas. ''Estamos interessados na realização de uma transição calma. Esperamos que o processo continue ordenado'', acrescentou Boucher.

Agência EFE

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[10:03] [11/11/2004]