Arafat sempre viu em João Paulo II um aliado da causa palestina

Por Juan Lara

CIDADE DO VATICANO - O falecido presidente da ANP, Yasser Arafat, sempre viu no Vaticano e no papa João Paulo II seus grandes aliados, pois a Santa Sé apoiou a reivindicação palestina de ter um Estado independente e exige para Jerusalém um estatuto garantido internacionalmente.

Arafat se reuniu no Vaticano em onze ocasiões com João Paulo II. A primeira foi em 1982 e a última em 30 de outubro de 2001.

Em todas as audiências, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) pediu ao Papa seu apoio ao processo de paz no Oriente Médio e na última disse a ele que os problemas da Terra Santa não afetam somente os palestinos ou os árabes, mas todos os muçulmanos e cristãos, ‘todos os crentes em Deus’.

Arafat, que sempre foi recebido com grande afeto no Vaticano, disse que a ‘ajuda’ do Papa para conseguir a pacificação da Terra Santa é atualmente ‘mais necessária que nunca’.

O líder palestino recebeu com todas as honras João Paulo II quando este visitou em 2000 a parte da Terra Santa sob controle da ANP.

Naquela ocasião, João Paulo II visitou Belém e o campo de refugiados palestinos de Dahaishe, aonde chegou pela mão de Arafat, o que demonstrou mais uma vez o afeto do Pontífice pelo líder palestino e seu apoio à causa palestina.

Depois de beijar a terra da cidade onde nasceu Jesus e diante de mais de 20 mil pessoas, entre elas Arafat e os máximos representantes da ANP, João Paulo II exigiu uma pátria para o povo palestino e afirmou que ninguém deve esquecer o que sofreu nas últimas décadas.

O Vaticano sempre manteve que só seria possível conseguir a paz no Oriente Médio quando existisse um Estado independente palestino, garantindo ao mesmo tempo a segurança de Israel e com os israelenses se retirando dos territórios ocupados.

A Santa Sé considera vital que Israel respeite as resoluções das Nações Unidas, sobretudo a 242 de 1967, referentes à retirada dos territórios ocupados depois da Guerra dos Seis Dias.

Também exige para a cidade santa de Jerusalém um estatuto especial garantido internacionalmente e uma solução para os refugiados palestinos, baseada nos princípios de justiça e solidariedade.

João Paulo II considera que para alcançar a reconciliação no Oriente Médio são necessários ‘o perdão, mas não a vingança’ e ‘as pontes, mas não os muros’, e pediu a toda a comunidade internacional que propicie o caminho do diálogo e da negociação que levem a uma paz duradoura.

O Vaticano e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) estabeleceram relações estáveis em 25 de outubro de 1994.

No acordo assinado nesse dia, ambos se pronunciaram em favor do reconhecimento de garantias internacionais para a Cidade Santa de Jerusalém.

O acordo foi assinado pouco depois do estabelecimento de relações oficiais entre a Santa Sé e o Estado de Israel.

Em 15 de fevereiro de 2000, um mês antes da histórica viagem do Papa à Terra Santa, a Santa Sé e a OLP assinaram outro acordo base para regular a presença e a atividade da Igreja católica nos territórios da ANP.

De novo voltaram a reiterar a necessidade de um status especial para Jerusalém, cidade santa para as três grandes religiões monoteístas (judia, cristã e muçulmana), e ressaltaram que as decisões unilaterais e as ações que alterem esse caráter são ‘moral e juridicamente inaceitáveis’.

Com essas palavras, de maneira indireta, se aludia às pretensões de Israel sobre a cidade, à qual em 1980 declarou capital ‘eterna e indivisível’.

Agência EFE

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[07:33] [11/11/2004]