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Mafalda faz 40 anos e continua atual
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Hernán Di Bello

BUENOS AIRES - Mafalda, a 'menina terrível' criada pelo cartunista argentino Joaquín Lavado, mais conhecido como 'Quino', será a partir de hoje uma quarentona.

"Não está prevista nenhuma celebração em particular" disse Julieta Colombo, sobrinha e representante de Quino". "Foram os leitores que escolheram esta data para ser aniversário de Mafalda", contou.

Os fãs da personagem lembrarão os 40 anos transcorridos desde o dia 29 de setembro de 1964, quando a tirinha protagonizada pela menina irreverente foi publicada pela primeira vez no semanário 'Primera Plana', de Buenos Aires.

A partir de então, as aventuras de Mafalda, Manolito, Felipe, Libertad ocuparam regularmente as páginas de inumeráveis publicações da Argentina e de outros países.

Embora o autor tenha deixado de desenhar a tira, Mafalda continua sendo, ainda hoje, símbolo de rebeldia e contestação onde quer que tenha conquistado fama.

Segundo Julieta Colombo, uma prova disso é a bem-sucedida mostra 'Quino 50 anos', que reúne trabalhos dos 50 anos de trajetória do cartunista. A exposição esteve em Buenos Aires e na próxima quinta-feira será inaugurada na província de Córdoba, no centro do país.

"Lá seguramente faremos algo alusivo ao aniversário", assegurou a sobrinha de um artista que freqüentemente se chateia quando o acusam de ter "matado" Mafalda. "Não me arrependo de ter deixado de desenhar essa história em quadrinhos", já disse o autor diversas vezes.

Quino, de 72 anos e radicado na Europa há décadas, está em Madri e tem previsto ir até Milão. Na Itália, também haverá uma exposição itinerante intitulada 'Uma viagem com Mafalda', que conta com 77 tirinhas cômicas e 50 ilustrações que sintetizam a relação do artista com o mundo e a vida.

As historietas de Mafalda foram traduzidas para mais de 30 idiomas, entre eles o chinês e o finlandês. Mesmo assim, Quino questiona a fama da personagem e diz que a considera igual ao resto de seus trabalhos.

Mas, o dia do aniversário da menina - que costumava manter longas conversas com um globo terrestre sobre os conflitos e as injustiças do planeta - tem outra data para Daniel Divinsky.

Diretor da empresa argentina Ediciones de la Flor, que tem os direitos de publicação de Mafalda, Divinsky conta que o artista desenhou a personagem pela primeira vez em 1963 para uma campanha propagandista que não chegou a se concretizar e na qual os nomes dos personagens deveriam começar com a letra 'M'.

Segundo ele, a menina rebelde apareceu pela primeira vez em 1964 em 'Gregorio', suplemento de humor da revista 'Leoplán', mas foi publicada regularmente a partir de setembro desse mesmo ano pelo jornal 'Primera Plana'.

Meios de comunicação de distintas partes do mundo também se somaram aos festejos relacionados ao aniversário da Mafalda e, nas últimas semanas, publicaram entrevistas nas quais Quino concordou em falar sobre a personagem, coisa que não faz com muita freqüência.

Em uma reportagem do jornal italiano 'La Reppublica', este filho de imigrantes espanhóis republicanos assegura que Mafalda surgiu do ambiente familiar no qual se formou e está inspirada em sua avó comunista.

A vigência de Mafalda é algo que Quino ainda não consegue compreender. Em declarações ao jornal argentino 'Clarín', disse que "muitas das coisas que ela questionava ainda continuam sem solução".

"Se ela ainda é lida como antes, para que continuar desenhando-a? Uma vez me perguntaram se eu não gostaria de ressuscitá-la. Ressuscitar significa que algo está morto".

Agência EFE

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[29/09/2004] [13:21]


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