Saramago: guerra dos EUA é pelo 'domínio do mundo'
BILBAO - O romancista português José Saramago afirmou que o conflito bélico que os EUA pretendem desencadear contra o Iraque tem mais relação com seus interesses geoestratégicos do que com ações. Ele está na cidade espanhola de Bilbao (norte), onde hoje pronunciará a conferência de encerramento do Congresso Internacional sobre Humanismo para o século XXI, organizado pela Universidade basca de Deusto.
O também jornalista e Prêmio Nobel de Literatura, estabelecido há anos nas Ilhas Canárias, afirmou, em entrevista coletiva prévia a sua intervenção acadêmica, que ''os Estados Unidos estão construindo um império''.
Para isso, comentou, precisa controlar não só o Oriente Médio, mas também países como o Iraque e os da Ásia Central que pertenceram à desaparecida União Soviética, já que ''ali está a fronteira com a China, a futura superpotência mundial''.
O escritor advertiu, nesse sentido, que os Estados Unidos têm bases militares em muitos países de todo o mundo, com mais de um milhão de soldados destacados nelas, enquanto que nenhuma dessas mesmas nações têm suas bases em solo norte-americano.
Com respeito à posição do Governo espanhol no conflito do Iraque, Saramago disse que isso obedece ao desejo do presidente do Executivo, José María Aznar, de ''converter-se no interlocutor privilegiado dos Estados Unidos na Europa''.
''Mas Aznar deveria saber que esta relação de privilégio e amizade com o presidente norte-americano durará enquanto interessar a Bush, já que os Estados Unidos não têm amigos, só interesses e, além disso, a amizade entre políticos dura pouco'', acrescentou o romancista.
Saramago lembrou que ''os Estados Unidos foram amigos inclusive de Saddam Hussein''. O Iraque ''foi cabeça de ponte dos Estados Unidos no Oriente Médio'' e Washington levou ao poder no Chile o general Augusto Pinochet. Perguntou-se então: ''Por que não invadiram o Chile para tirar Pinochet?''.
Agência EFE.