Angélica Paulo, Agência JB RIO - A estréia do nado sincronizado nos Jogos Pan-Americanos do Rio, na manhã desta quarta-feira, no Parque Aquático Maria Lenk, mostrou que a América é mais latina que anglo-saxã. A dupla brasileira formada por Caroline Hildebrandt e Lara Teixeira terminaram o primeiro dia de eliminatórias em terceiro lugar, classificando-se para a final, que acontece nesta sexta-feira. Apesar das grandes favoritas duplas americana e canadense terem se mostrado melhores na piscina, a trilha sonora que animou as coreografias tinha muito mais batuque latino-americano do que se poderia esperar. Andrea Nott e Christina Jones, representando os Estados Unidos, uniram as batidas dignas do Olodum à salsa e ao merengue, arrancando aplausos entusiasmados da platéia, que ao contrário do que se tem visto até hoje no Pan do Rio, não vaiaram as duplas adversárias, e conquistando o primeiro lugar no quadro geral. As canadenses Isabelle Rampling e Marie-Pier Boudrau também não fugiram à regra. Com muita salsa e merengue, entre outros ritmos latinos, mostraram sincronismo, alcançando a segunda posição no placar. Mas a platéia foi mesmo ao delírio com a apresentação da dupla brasileira, que levou para a piscina performance inspirada na dança cigana. Faixas e cartazes de apoio faziam parte da estratégia de incentivo do público que lotou o Maria Lenk para prestigiar a graça e leveza das brasileiras. E elas não decepcionaram. Com movimentos precisos e total sintonia, executaram a coreografia que já vêm apresentando desde o mundial de Esportes Aquáticos de Melbourne, onde obtiveram a 13ª posição no ranking geral, com apenas alguns ajustes. - Fizemos pequenos ajustes desde Melbourne e, claro, tivemos muito mais tempo para treinar – disse Caroline. Ao final do número, a consagração. A torcida, de pé, aplaudia e gritava o nome das atletas. - Me deu um nó na garganta quando vi a torcida. Ainda não tinha visto a platéia lotada e foi muito bom! Nosso foco é garantir uma medalha e começamos muito bem – contou, exultante, Lara Teixeira, que confirmou o favoritismo das canadenses e norte-americanas, mas deixou claro que, junto com Caroline, brigará pelo bronze com a equipe do México. - A gente sempre treina pensando no ouro, mas vamos brigar pelo bronze, com certeza – afirmou. A técnica Roberta Perillier elogiou a performance da dupla brasileira. - Foi difícil segurar o choro. O Brasil hoje foi um primor de sincronização e posso dizer que foi a melhor apresentação que o país já teve. Estou muito orgulhosa – disse, lembrando, juntamente com as atletas, que o trabalho continua. - Vamos descansar um pouco e depois repassar a coreografia – conta a sorridente Caroline, que junto com Glaucia Heier, da equipe que competirá amanhã, é a única remanescente da equipe que conquistou a medalha de bronze no Pan de Santo Domingo. Antes de se despedirem, a dupla fez uma pelo à torcida: - A gente pede que a torcida chegue cedo ao na sexta, porque seremos as primeiras na apresentação – fizeram coro Lara e Caroline. E a julgar pelo comportamento da torcida no parque aquático nesta quarta, o pedido das atletas será prontamente atendido.
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