Nilo Junior, Agência JB RIO - O último dia de competição do judô nos Jogos Pan-Americanos foi marcado por uma confusão generalizada no ginásio do Riocentro. Neste domingo, durante o “golden score” (espécie de morte súbita) da final feminina da categoria até 52kg, o árbitro Juan Chala, da República Dominicana, aplicou uma punição na judoca brasileira Érika Miranda e, consequentemente, deu o ouro à cubana Sheila Espinosa. Revoltados, torcedores jogaram copos, revistas e diversos objetos na mesa dos juizes, que logo deixaram a área de luta. Os ânimos se exaltaram mais ainda depois que os presidentes da Federação de Judô do Maranhão, Francisco Neto, e do Ceará, Eduardo Costa, que estavam na tribuna jogaram objetos no técnico da cubana, que provocava a torcida. A ex-jogadora de vôlei Regla Torres, o ex-boxeador Teófilo Stevenson, o ligeiro Yosmany Pike, medalhista de prata, e o meio-pesado Oreides Despaigne, que conquistou o ouro neste Pan, tomaram as dores do técnico e foram tomar satisfação com o grupo brasileiro. O tempo fechou e a confusão se formou de vez. Socos, chutes e empurrões foram trocados entra brasileiros e cubanos. Sobrou até para o ex-judoca Aurélio Miguel, que comentava as lutas para a “TV Record”. -- Fui apartar porque a confusão estava tomando um rumo perigoso – afirmou Aurélio, que depois da cerimônia de entrega de medalhas teve o nome gritado pela toricda. – Essa aí, a jogadora de vôlei (Relga Torres) estava louca, falou que ia me bater. Mas ela esqueceu que é campeã de vôlei e eu, de judô. A Força Nacional invadiu o ginásio para conter a confusão e retirou a delegação cubana do ginásio. Funcionários da "Record" reclamaram da truculência dos policiais. Um dos cinegrafistas da emissora, que também teria jogado objetos, foi detido e alguns dos envolvidos na confusão foram encaminhados ao Juizado Especial Criminal. Até as músicas tocadas entre um combate e outro mudaram. No lugar de hits agitados, Tom Jobim. Mais tarde, com a situação controlada, as delegações do brasil e de cuba entraram de mãos dadas no tatame, numa tentativa de demonstra espírito esportivo. - Na área restrita aos atletas os cubanos vieram falar com a gente que o que estava acontecendo no ginásio não tinha nada a ver com a nossa relação. Nos respeitamos como atletas e não somos inimigos – falou Danielle Zangrando, medalha de ouro no sábado. Depois da premiação, Érika ainda estava revoltada com o resultado. - Não entendo o que aconteceu. Já somos garfados lá fora, mas não esperava isso em casa. A lutas foram interrompidas por cerca de 40 minutos e as finais da categoria até 66kg começaram a atrasadas. Confusões à parte, o último dia de competição do judô no Pan foi marcado por mais medalhas, entre elas o ouro de João Derly. O judoca venceu o equatoriano Roberto Ibañez com um yuko, após duas punições do adversário. Antes, o atual campeão mundial já havia derrotado o chileno Felipe Novoa, por ippon, o cubano Yordanis Arencibia com um koka, e o boliviano Juan Guzman, também por ippon. Após comemorar a vitória, Derly confessou ter ficado tenso com o clima no ginásio. - Durante a confusão fiquei num canto, sentado, com o Tiago Camilo e com o Luixz Shinohara e pedi para nem me contarem o que estava acontecendo, para não atrapalhar a concentração - disse. Antes do ouro e da polêmica prata de Érika, o judô ainda deu uma prata e um bronze ao Brasil. Na final da categoria até 48kg, Daniela Polzin perdeu por ippon para a cubana Yanet Bermoy. O bronze veio das mãos de Alexandre Lee. Após perder para o cubano Yosmani Pike nas eliminatórias, ele avançou nas repescagens e venceu Juan Postigos, do Peru. Ao fim do dia, o técnico da seleção masculina, Luiz Shinohara, comentou o desempenho dos atletas. - O desempenho foi bom, mas a qualidade das medalhas deixou a desejar. Esperávamos três ou quatro ouros e conseguimos só dois. Portanto, foi pouco abaixo das expectativas. Com os resultados de ontem o Brasil terminou o Pan com 13 medalhas, sendo quatro de ouro (Ednanci, Tiago Camilo, Danielle Zangrando e João Derly), seis pratas (João Gabriel, Leandro Gulheiro, Mayra Silva, Danielli Yuri, Erika Miranda e Daniela Polzin) e três bronzes (Priscila Marques, Luciano CorrÊa e Alexandre Lee). O único que não conquistou medalha foi Flávio Canto, que se machucou no sábado. Essa participação foi a melhor do Brasil em Pan, em número de medalhas, superando o de Santo Domingo, em 2003, quando os brasileiros subiram ao pódio dez vezes. Naquela edição dos Jogos, porém, os judocas trouxeram cinco ouros, um mais do que este ano.
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