Ricardo e Emanuel conquistam medalha e homenageiam Flavio Canto

Angélica Paulo, Agência JB

RIO - Invictos no Pan do Rio, a dupla brasileira Ricardo e Emanuel suaram a camisa durante o primeiro set contra a desconhecida dupla norte-americana Stolfus e Loomis por 2 sets a 0, com parciais de 21/19 e 21/13.

Nonos no ranking da ATP (válido somente para os EUA), os americanos deram trabalham. Ricardo e Emanuel, campeões olímpicos em Atenas, testaram várias táticas diferentes no início do primeiro set e somente depois de estarem perdendo por 12 a 8, esboçaram reação. Os saques de Ricardo, fortes e bem colocados, caíram como bombas no lado adversário, desestabilizando os rivais, que não conseguiram mais se encontrar em quadra e, após 25 minutos, fecharam em 21 a 19.

O segundo set começou equilibrado. Mais uma vez os americanos, sempre vaiados pela numerosa torcida que lotava a Arena olímpica, se mostraram bem colocados em quadra e, sempre sacando em cima de Emanuel, mantiveram o placar empatado até o nono ponto. À partir daí, mais uma vez, Ricardo fez a diferença. Bloqueando vários ataques dos norte-americanos, que chegaram a receber um cartão amarelo por reclamarem de um ponto dos brasileiros, o jogador foi decisivo para fechar o segundo set, sob os gritos de “É campeão”, em 22 minutos.

Ao final, Stolfus creditou ao juiz a má atuação, principalmente no segundo set.

- A decisão do juiz nos afetou muito durante o resto da partida – contou, confessando que exagerou nas reações durante as duas últimas partidas – Não tive a intenção de ofender o árbitro e se assim o fiz, peço desculpas – disse.

Emanuel correu para agradecer à platéia, que ovacionava os jogadores. Mais contido, Ricardo preferiu isolar-se.

- Tentei ficar ali sozinho, memorizando. Do começo da minha carreira até o único título que faltava. Tentei curtir aquele momento, agradecer a Deus – revelou, ainda emocionado com a conquista.

O título é resultado de mais de um ano de trabalho coordenado entre jogadores e equipe técnica.

- O Pan começou em janeiro de 2006, quando fizemos a primeira reunião de equipe. Foi um ano difícil, entre 2006 e 2007 – revelou Emanuel. – Se hoje nós somos campeões, é graças a esse um ano e meio de planejamento – contou.

Mas valeu á pena. Sem perder nenhum set durante toda a competição, Ricardo e Emanuel contam que a partida mais difícil foi justamente a de hoje, pelo fato dos norte-americanos serem adversários desconhecidos:

- A equipe americana e jovem, tem muita energia. Eles chegaram sem nenhuma pressão e jogaram muito bem o primeiro set – contaram, revelando o segredo da virada para a vitória:

- Algumas jogadas mágicas e a energia dos torcedores. Pensei em tudo que tinha acontecido naquela semana, em todo mundo gritando o nosso nome, no Brasil. Pensei que, naquele momento, todos eram iguais, independentemente de cor, família ou condição financeira. Aquilo deu muita força para nós – contou Emanuel.

A próxima parada agora é na Suíça, onde disputam a Copa Mundial de vôlei, no próximo final-de-semana. Esposa de Emanuel, a jogadora Leila já embarcou para a Europa, perdendo a final. Mas não deixou de ligar para o marido:

- Ela me ligou perguntando por que eu não tinha ligado para ela. Ela estava entrando no avião, com a Ana Paula (parceira) e a Letícia (treinadora) - diz Emanuel, rindo.

A comemoração pelo título terá que esperar um pouco. A dupla também embarca para a Europa ainda neste domingo.

- As próximas duas semanas são as mais importantes para nós – contam, referindo-se à Copa do Mundo e à etapa da Áustria do Grand Slam. – Vamos fazer de tudo para nos classificar, não necessariamente em primeiro, mas uma das duas vagas.

O gostinho da vitória, porém, não acabará tão cedo.

- Este foi o título mais importante da minha carreira, mais até do que o título olímpico, por ser o único que faltava na trajetória do nosso esporte e por ser no Rio, que foi onde comecei a carreira e onde tive meu primeiro título internacional – contou, ainda emocionado, Ricardo.

A família, apoio fundamental para os atletas, não deixou de comparecer.

- Tem 14 pessoas aqui da minha família. Meus pais vieram de Curitiba, meu filho Mateus. Não dá para falar de todo mundo porque é muita gente – contou Emanuel.

A medalha, que vai dividir espaço com outras premiações da dupla, foi dedicada ao amigo Flavio Canto, que saiu do Pan após lesão no cotovelo:

- Temos que lembrar de outros atletas – contou Emanuel. – Estou sempre com ele e acredito muito no Flavio. É hora de dar uma força para esse grande guerreiro – finalizou.


[ 22:10 ]   22/07/2007