Nilo Junior, Agência JB RIO - A judoca Edinanci Silva entrou definitivamente para a história do Judô nacional, nesta sexta-feira. Com a vitória sobre a cubana Yurisel Laborde, na final da categoria meio-pesado (até 78kg), a brasileira conseguiu sua segunda medalha de ouro consecutiva em Jogos Pan-Americanos – a outra foi em Santo Domingo, em 2003. Esses dois resultados, somados ao bronze de Winnipeg, em 1999, consagram a atleta como a mais vitoriosa brasileira da história da modalidade. – Estou muito feliz, principalmente por fazer a final com a Yurisel, que é uma grande adversária. Ela já havia me vencido três vezes este ano, mas hoje ela veio num momento em que eu estava muito motivada e concentrada na competição – explicou a lutadora. A concentração de Edinanci era visível antes de cada luta. A judoca entrava na área de competição com o rosto coberto por um capuz, ao estilo "Rock Balboa". Na primeira luta do dia, ela precisou de apenas nove segundos para vencer a guatemalteca Mirla Nolberto por ippon. O segundo combate demorou um pouco mais: 16 segundos, e nova vitória por ippon, dessa vez sobre a argentina Lorena Briceño. A final contra a cubana, atual campeã do mundo, foi dura. A brasileira ganhou com um ippon por imobilização, depois de conseguir dois yuko. Edinanci, que costuma dar suas medalhas a parentes, dedicou esta conquista aos familiares das vítimas do acidente da TAM. – Eu ofereço essa vitória a todos os parentes das vítimas do acidente em São Paulo. Só quem perde alguém da família sabe o vazio que fica. Sei que isso não irá consolá-los, pois a dor da perda é muito grande, mas fico feliz de prestar essa homenagem – disse a judoca, que se emocionou e chegou a chorar lembrando a tragédia. – Nós, atletas, praticamente vivemos dentro de um avião. Sabemos como os nossos familiares se preocupam com isso. Com a medalha no peito e o nome na história, o Pan já é passado na vida de Edinanci. – Esses Jogos já são páginas viradas. O objetivo agora é repetir o feito no Mundial. Neste sábado, é a vez de Flávio Canto entrar no tatame. Com um bronze em Mar del Plata, uma prata em Winnipeg e um ouro em Santo Domingo, ele é o único que pode superar o retrospecto vitorioso de Edinanci. Além dele, competem Leandro Guilheiro, Danielle Zangrando e Danielle Yuri. Primeiro ouro do dia é de Tiago Camilo Coube ao judoca Tiago Camilo a honra de conquistar o primeiro ouro brasileiro nos Jogos Pan-Americanos do Rio, levando o Riocentro ao delírio ao vencer as suas três lutas, na categoria até 90 kg, por ippon. A trajetória do brasileiro rumo ao ouro foi longa, se pensarmos no tempo de preparação e treinamentos para a competição. Porém, na prática, a medalha veio num espaço bem curto de tempo. No total das três lutas, o judoca levou apenas 1min59s para garantir o lugar mais alto do pódio. O primeiro combate do dia foi o mais demorado: levou 1min8s, contra o porto-riquenho Alexis Chiclana. Logo no início da luta o ele conseguiu um yuko e, pouco mais tarde, um ippon. Classificado para a semifinal, chegava a hora de encarar o norte-americano Rick Hawn. A vitória por ippon não demorou mais do que 20 segundos. Na final, Tiago derrotou o cubano Jorge Benavides. A luta durou apenas 31 segundos e acabou como todas as outras: por ippon. Tiago, que geralmente é comedido em suas comemorações, vibrou muito com a conquista. – O principal é que consegui colocar em prática tudo o que tinha planejado. Treinei muito sonhando com este momento. Foi melhor do que esperava. Estou orgulhoso. Para Tiago, o judô brasileiro atingiu um patamar que “obriga” os atletas a vencerem sempre. – Essa pressão é boa. É preciso ter calma, confiança e, principalmente, lutar com amor – ensinou. Além do ouro, prata e bronze Além dos ouros de Tiago Camilo e Edinanci, o Brasil conquistou mais duas medalhas no segundo dia de competição. Mayra Silva, na categoria até 70 kg, ficou com a prata, enquanto Luciano Correa, na categoria até 100 kg, levou o bronze. Com apenas 15 anos de idade e estreando em Jogos Pan-americanos, Mayra por pouco não deu mais um ouro ao Brasil. A jovem revelação do judô – que ainda é faixa marrom – foi derrotada na final pela norte-americana Ronda Rousey, que obteve um ippon quase no fim. – O resultado foi ótimo. É a primeira vez que luto com a Rousey. Na próxima eu pego ela – disse. Nas preliminares, Mayra passou por Veronica Mendoza, de El Salvador, e por Maria Rojas, da Venezuela. Na semifinal, derrotou Onix Cortes, de Cuba. Depois de vencer, por ippon, o argentino Orlando Baccino e o mexicano Sergio Garcia – este último com uma queda plástica – Luciano Correa foi derrotado na semifinal, também por ippon, pelo cubano Oreidis Despaigne. Triste por ter dado adeus ao sonho dourado, o judoca manteve a tranqüilidade para buscar o bronze e derrotou o venezuelano Albenis Rosales por ippon. O ouro ficou com Despaigne e a prata, com Keith Morgan, do Canadá. – É difícil. Nos preparamos para ganhar o ouro, mas como não deu certo, tive que dar a volta por cima e buscar o bronze – contou Correa. Com os resultados desta sexta, o Brasil já soma seis medalhas na modalidade, neste Pan.
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