Renato Grandelle, Agência JB RIO - Um homem calvo e de meia idade é um dos mais novos medalhistas brasileiros. O militar Fernando Cardoso Junior, prata no Pan de 1995, em Mar del Plata, ganhou o bronze no tiro rápido. Nada mal para quem, há cerca de 10 anos, quebrou as costelas e vários ossos da perna depois de um pulo frustrado como pára-quedista. À época tenente do Exército, Fernando participava de um treinamento em um avião, quando fortes rajadas de vento apressaram a saída dos tripulantes. Fernando foi o último a saltar. Caiu em uma pista da Avenida Brasil, e, antes de conseguir recolher seu equipamento, foi atropelado por um ônibus. O acidente lhe custou mais de um ano na cadeira de rodas, além de sessões diárias de fisioterapia. A recuperação continua até hoje - Fernando, agora tenente-coronel, nada todas as manhãs. - Estou aqui para me superar - emocionou-se. - Ainda tenho vários erros técnicos para corrigir. Esta medalha é só o início. Técnico do militar, o ucraniano Anatolii Piddubnyi também não deixa Fernando pensar em aposentadoria: - Os melhores atiradores brasileiros têm 45 ou 46 anos. Tiro não é esporte para os músculos, mas para a inteligência. Olhando para a balança, o ensinamento de Piddunbnyi faz sentido. Embora também conte com corpos esbeltos, o tiro é aberto a rechonchudos - o argentino Rafael Oliveira Araus, o mais pesado da modalidade, ostenta 115 quilos. Mesmo assim, segundo a atleta brasileira Daniela Carraro, a comilança não está liberada. - Os jogadores chegam a perder 10 quilos durante os treinos. Se o corpo não vai bem, a cabeça também sofre.
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