Nilo Junior, Agência JB RIO - Uma decisão polêmica dos juízes marcou o primeiro dia das competições de judô nos Jogos-Pan-Americanos, ontem, no Riocentro. Após u m empate sem pontos no tempo normal e no golden score (espécie de morte súbita, na qual ganha que marcar o primeiro ponto) os árbitros deram a vitória por 2 a 1 para o cubano Oscar Brayson sobre o brasileiro João Gabriel, na final da categoria acima de 100 kg. Não seria nada demais, se um dos três juízes não fosse compatriota do vencedor.
A regra diz que um atleta e um árbitro não podem ter a mesma nacionalidade. Mas, como é naturalizado norte-americano, Hector Menezes foi escalado para a luta. - Se a regra diz que não pode, está errado - sentenciou o judoca, queficou com a medalha de prata. João ficou visivelmente irritado com o resultado, mas não criticou a arbitragem e limitou-se a dizer que não concorda. - Meu ponto de vista é completamente oposto ao deles, mas, paciência. Infelizmente eu não consegui decidir a luta - lamentou. Perguntado se não estava feliz com a prata, João respondeu, mas não convenceu. - A prata é um grande feito, mas não foi ela que eu vim buscar. Agora é levantar a cabeça e treinar mais. Para o técnico da Seleção Brasileira, Luiz Shinohara, faltou um pouco mais de determinação da parte de João. - Acho que no tempo normal era para ele ter ganho pelo menos um "koka". Mas no golden score faltou um pouco mais de iniciativa. Ainda assim, acho que ele merecia o ouro - falou. O presidente da Confederação Brasileira de Judô, Paulo Wanderley, também comentou sobre a luta, mas preferiu não polemizar, embora tenha dado uma alfinetada, dando a entender que às vezes o coração pode falar mais alto. - Ele é cubano, mas o que vale é a nacionalidade que está no passaporte. É complicado. Eu moro no Rio de Janeiro, já residi em Vitória e nasci no Rio Grande do Norte. Gosto dos três. Apesar disso, a decisão não foi absurda, pois a luta foi muito equilibrada. Uma luta que vai para o Golden Score é sempre parelha. João chegou à final depois de vencer o argentino Carlos Cisneros e o haitiano Joel Brutus. Este último, foi finalizado pelo brasileiro com um belo "jujigatame", mas conhecido como chave de braço.
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