Natação soma mais quatro medalhas para o Brasil

Aline Freire, Agência JB

RIO - Thiago Pereira está mesmo querendo dar o seu máximo pelos Jogos Pan-Americanos do Rio. O nadador carioca conquistou, nas finais de ontem, mais uma medalha de ouro, com direito a recorde pan-americano e sul-americano. Agora são três vitórias, três recordes e 100% de aproveitamento na competição.

- Sempre quando entrou na água, me concentro e tento dar o meu melhor. Esse é o meu objetivo. Quero ajuda o Brasil a crescer no quadro de medalhas - explicou.

Em menos de trinta minutos, Thiago nadou a eliminatória dos 200m medley, se classificou e foi para a decisão dos 200m costas. Muito pouco para uma recuperação em provas que exigem muito esforço. Mesmo assim, o brasileiro terminou em primeiro, com o tempo de 1min58s42, e deixou o americano Scott Clary (antigo detentor do recorde pan-americano) com a prata com 1min59s24.

- Nos últimos 50 metros já estava morto e pensei: só faltam 50. Abri forte e acabei cansando um pouco. Os últimos 15 metros foram bem longos. Agora é comemorar! Acabei conseguindo o que queria. Estou bastante feliz - contou.

Cansaço? Thiago garante que está preparado e que treinou para o Pan visando o intenso ritmo de disputas. Segundo o atleta brasileiro, todas as competições e preparações foram visando a quantidade de provas, em pouco espaço de tempo.

Nós já esperávamos que iria ser assim. Estamos treinando há muito tempo para isso. As três competições deste ano tiveram períodos intenso. Em Canet, no treinamento de altitude, em apenas três dias, Thiago caiu na água 17 vezes. Não quero nem pensar em cansaço agora. Ele está se sentindo muito bem - explicou o técnico Fernando Vanzella.

Para Thiago e Vanzella, o maior desafio dos Jogos não está no cansaço e sim nos 100m costas, que terá a final no domingo.

- Será a prova mais complicada. Os dois americanos são muito bons. Agora tenho que descansar muito, comer bem e dormir bem. Cada dia eu esqueço do que passou e penso na prova seguinte - disse o nadador, referindo-se a Randal Ball e a Peter Marshal, nadadores olímpicos.

O bronze dos 200m costas também foi para o Brasil. Lucas Salatta garantiu um lugar no pódio com o terceiro lugar e, com 1min59s51, conseguiu índice para nadar os Jogos Olímpicos de Pequim.

- A medalha foi dentro do esperado. Vou tentar subir ao pódio mais uma vez nos 200m borboleta.

Nesta sexta, a partir das 10h, a seleção pode aumentar o quadro de medalhas do Brasil. Thiago Pereira volta a piscina para nadar sua melhor prova: os 200m medley. Campeão mundial e prata em Santo Domingo/2003, o nadador é o favorito por mais um ouro. Nas preliminares de ontem, Thiago só fez o suficiente para a classificação. Marcou 2min02s00, atrás somente do canadense Keith Beavers, com 2min01s49. O outro brasileiro da prova, Diogo Yabe também se classificou para nadar a final, com o sexto tempo (2min03s35).

Brasileiras de prata

Medalha para o Brasil também entre as mulheres. Fabíola Molina enfrentou a americana Julia Smit nos 100m costas e por 17 centésimos não conquistou medalha de ouro. Molina marcou 1min02s18, bateu o recorde sul-americano da prova e ficou a centésimos índice para Pequim (1m01s70). Emocionada, aos 32 anos, a nadadora disse que não pensa em parar de nadar.

- É uma prata que vale ouro. Há 16 anos eu participava do meu primeiro pan-americano. Me sinto nova e não penso em parar, pois estou fazendo os melhores tempos da minha vida. Tem muitos atletas depois dos 30 na natação mundial – desabafou a atleta que estreou em pan nos Jogos de Havana (em 1991).

O marido de Fabíola, o também nadador Diogo Yabe, que disputou a prova seguinte da mulher, vibrou com a conquista.

- Estava tentando me concentrar para a minha prova, mas quando ela virou nos últimos 50m, dei um berro e vi que ela deu uma braçada muito forte. Estamos muito felizes – disse o nadador, que treina junto com Fabíola, períodos em São Paulo e na Itália.

Festa também para o revezamento 4x100m livre feminino. O time formado por Flavia Delaroli, Tatiana Lemos, Monique Ferreira e Rebeca Gusmão somou 3min42s96 e detonou o recorde sul-americano. A equipe dos Estados Unidos venceu a prova, com 3min41s97, e o Canadá garantiu o bronze (3min46s23).

- Sabíamos que iríamos brigar pelo ouro contra as americanas. Ela foram melhores, tem uma medalhista olímpica, mas estamos satisfeitas com o resultado – explicou Tatiana Lemos, que aprendeu a nadar no Forte da Urca, no Rio.

Na chegada da disputa, Rebeca Gusmão, que anteontem conquistou o primeiro ouro para a natação feminina, forçou na batalha contra a americana e acabou se sentindo mal.

- Acabei me empolgando nos últimos 50 metros e passei um pouco mal. Está um pouco frio e a minha asma ataca nessa época do ano, mas já estou bem - disse.

Brasil disputa mais medalhas nesta manhã

Rodrigo Castro marcou o melhor tempo nos 200m livre das eliminatórias de ontem, com o tempo de 1min49s96. O mineiro Nicolas Oliveira fez o quarto tempo, com 1min50s58, e tentará quebrar o recorde sul-americano de Gustavo Borges, desde os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 96 (1min48s08).

- A eliminatória não vou como eu queria, mas vamos ver na final. Não vou para a prova pensando em quebrar recorde e nem em ganhar medalha. Vou pensando em melhorar meus tempos - disse.

A fundista Poliana Okimoto, depois de conquistar medalha de prata na maratona aquática de 10km, irá estrear na piscina do Pan nos 800m livre.

A pernambucana Joanna Maranhão volta ao Maria Lenk para nadar a final dos 200m medley. Lilian Cerroni, a outra brasileira da prova, também estará na disputa.

Com o quinto tempo (2min03s49), Monique Ferreira, que participou da prata do 4x100m livre, irá brigar por um lugar no pódio nos 200m livre contra a favorita Ava Ohlgren, dos Estados Unidos, que cravou 2min01s02 nas preliminares.

A manhã da natação irá terminar com o revezamento 4x100m livre, com Thiago Pereira, Eduardo Deboni, Cesar Cielo Filho e Fernando Silva, e quem sabe somar mais uma medalha verde-amarela.


[ 13:37 ]   19/07/07