Natação do Brasil estréia com dois ouros

Aline Freire, Agência JB

RIO - “Thiago, Thiago, Thiago!!” Assim a torcida brasileira que lotou o parque aquático Maria Lenk gritava o nome de um dos maiores nadadores do Brasil. Thiago Pereira mostrou que está mesmo querendo bater o recorde de medalhas em pan-americanos e ajudar o Brasil na disputa da competição. No primeiro dia de medalhas do esporte, o Brasil já está perto das três vitórias conquistadas em Santo Domingo/2003.

Com uma larga vantagem de dois corpos de distância do americano Robert Magalis, logo no início da prova, o nadador de Volta Redonda venceu os 400m medley, abriu sua série de medalhas e quebrou os recordes pan-americano e sul-americano com o tempo de 4min11s14. Em Santo Domingo, Magalis conquistou o primeiro lugar, com 4m19s05, e Thiago o viu receber o ouro com o seu bronze garantido (com 4m19s89). Esta marca do nadador brasileiro também é a quarta melhor do ranking mundial deste ano. O outro brasileiro da prova, Diogo Yabe, chegou em quarto lugar após marcar 4min25s18.

Sem falar com ninguém, Thiago saiu da prova direto para a concentração. O atleta iria cair na água logo depois para nadar o revezamento 4x200m livre ao lado de Rodrigo Castro, Lucas Salatta e Nicolas Oliveira.

A última prova do dia foi a mais emocionante. Com o público de pé, os meninos do Brasil enfrentaram, sem medo, os americanos da raia ao lado. A estratégia da comissão técnica deu certo em abrir com Thiago Pereira. O nadador entregou a prova para Rodrigo Castro com uma braçada de diferença. Rodrigo e Lucas Salatta, o terceiro homem, disputaram cada gota de suor com os rivais. Nicolas Oliveira saltou para fechar o revezamento e conseguiu marcar o melhor tempo da prova e garantir mais uma medalha de ouro para a natação brasileira com o tempo de 7min12s27. O Brasil nunca vencera esta prova em Jogos Pan-Americanos.

- Detonamos o recorde. Estou na seleção desde 1997 e sempre quisemos bater essa marca. A torcida brasileira ajuda muito. Quando estamos nadando não conseguimos ouvir, mas sentimos a vibração da piscina. Parece uma partida de futebol. Nunca vi uma coisa dessa – disse o encantado Rodrigo Castro.

- Acho que não poderia ser melhor. Dois ouros, dois recordes sul-americano e dois pan-americanos. O dia de hoje passou, agora esqueço e penso nas próximas provas. Agora eu posso afirmar: estou bem. Não me sinto cansado. Treinei muito para isso e estou com muita fome de competir – disse Thiago.

Humilde, o mineiro Nicolas Oliveira, de 19 anos, é o estreante na seleção e participa de um Pan pela primeira vez. O nadador foi o responsável pela arrancada final que garantiu o ouro para a equipe brasileira em cima dos Estados Unidos.

- Quando vi que o Salatta (Lucas Salatta, o terceiro integrante da prova) me entregou a prova pau-a-pau, pensei: Ih, caramba, sobrou para mim! Mas estou bem feliz com esse resultado. Sou novo e espero dar muitas vitórias ao Brasil ainda - disse o nadador que treina nos Estados Unidos, na Universidade da Arizona. - A torcida está fora do normal que a gente está acostumado. Quero agradecer os três companheiros por esse momento maravilhoso – disse Nicolas, realizado, com o sorriso estampado no rosto e olhos brilhantes.

No mesmo momento, Thiago ri e lança:

- Cara, a gente é que tem que agradecer. Caiu atrás e ainda acabou na frente – disse, em risos, Thiago Pereira, que ainda estará disputando cinco medalhas no Pan do Rio.

Nicolas Oliveira fez o melhor tempo do 4x200m (1min46s63). O mineiro de Belo Horizonte volta a piscina hoje para as eliminatórias dos 200m livre. Ele tem forte possibilidade de quebrar uma das marcas mais antigas da natação brasileira: o recorde sul-americano da prova que pertence a Gustavo Borges, batida nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996 (1min48s08).

- Nem o Gustavo nadou tão forte assim. Nicolas está voando na água – disse Rodrigo Castro, o mais experiente do grupo.

A equipe dos EUA, com Ricky Berens, Matthew Owen, Andy Grant e Robert Margalis, fez 7min15s00 e ficou com a medalha de prata. Bronze para os canadenses, com Chad Hankewich, Stefan Hirniak, Pascal Wollach e Adam Sioui (7min17s73).

Sorte para uns, azar para outros. A pernambucana Joanna Maranhão, bronze nos 400m medley em Santo Domingo/2003, chegou 3s46 abaixo da americana Kathleen Hersey, que levou o ouro, e ficou apenas com a quarta colocação. Outra americana Teresa Crippen e a argentina Georgina Bardach completaram o pódio.

- Estou satisfeita. Há muito tempo não conseguia chegar perto da Georgina – disse a nadadora, que trava uma batalha com a argentina em campeonatos brasileiros e em sul-americanos. – Não é um pedaço de ferro que vai me fazer mais ou menos feliz.

A final dos 400m livre, Monique Ferreira, única classificada para nadar a prova, terminou em quinto, com 4min14s54. A americana Jessica Rodriguez cravou 4min12s22 e levou o ouro. Prata para a mexicana Patricia Castañeda Miyamoto (4min13s34) e bronze para Corinne Showalter, também dos Estados Unidos (4min13s72).

Duelos brasileiros nas próximas finais

Disputas brasileiras nas finais de hoje. Na final dos 50m livre feminino, Rebeca Gusmão marcou o segundo melhor tempo da prova (25s26) e ainda conseguiu índice para os Jogos Olímpicos de Pequim. Flavia Delaroli, que havia feito o índice nas eliminatórias de anteontem, marcou a terceira melhor marca (25s34). As duas lutarão por uma medalha contra a favorita Arlene Semeco, da Venezuela, que ontem tirou o recorde sul-americano das brasileiras Flavia e Rebeca.

- A prova foi bem forte. Gostei de conseguir o índice. Já estou começando a pensar em Pequim. Amanhã será bem difícil – disse Rebeca.

César Cielo Filho também não está para brincadeiras. Nas eliminatórias para a final dos 100m livre, o paulista cravou 49s37 e marcou o melhor tempo da prova, seguido pelo americano Gabriel Woodward, com 49s48. O catarinense Eduardo Deboni, outro brasileiro da prova, também se classificou e marcou o sétimo tempo (50s01).

- Espera mais. Espero conseguir baixar o meu tempo para a faixa dos 49s50. Vou descansar para ir bem para a final. Se eu fizer tudo certo, consigo um pódio – previu o nadador.

Nas finais dos 100m borboleta, dobradinha brasileira de Daiene Dias e Gabriella Silva com o terceiro e quarto melhor tempo da prova. A capixaba Daiene, de apenas 18 anos, marcou 1m00s48 e superou a própria marca batida no Troféu Maria Lenk, em maio, com 1m00s63.

Na versão masculina da prova, Gabriel Mangabeira fez o primeiro tempo para as finais. O nadador marcou 52s94, seguido pelo venezuelano Albert Subirats (53s02), empatado com o brasileiro Kaio Márcio de Almeida.

Henrique Barbosa e Felipe Lima também conseguiram classificação para a final dos 100m peito. O melhor tempo ficou com o americano Mark Gangloff, que bateu recorde pan-americano. Já Henrique, cravou com 1m01s47 e melhorou a marca sul-americana de Felipe Lima (1m01s52).


[ 11:58 ]   17/07/07