Aline Freire, Agência JB RIO - Uma prata com sabor de bronze e um bronze com gosto de ouro. Esse foi o saldo das primeiras medalhas do Brasil nos Jogos Pan-Americanos do Rio. Na manhã de ontem, na praia de Copacabana, diante da torcida verde-amarela, os nadadores Poliana Okimoto e Allan do Carmo assinalaram seus nomes na história da maratona aquática. Esta é a primeira prova da modalidade em um pan-americano, que também virou esporte olímpico.
“Deus sabe o que faz”. Com essa frase, Poliana sintetizou sua alegria em conquistar medalha de prata e, ao mesmo tempo, a tristeza em deixar escapar o ouro com apenas uma braçada.
- Foi uma prova muito disputada. A maratona é sempre decidida nos metros finais. Errei a braçada, não acertei a placa, mas estou satisfeita com o resultado. É apenas um detalhe do ouro para a prata – desabafou a nadadora, de 23 anos, logo após a prova, ainda tremendo do esforço gasto, caminhando para o exame anti-doping.
A paulista, vice-campeã mundial em 5km e 10km, completou a prova com o tempo de 2h13min48s e saiu do mar chorando.
- Um choro de felicidade e de alívio. Dei tudo de mim nesta prova. Minha última gota de suor ficou no mar – disse a atleta que volta para Santos sem piscina para treinar. A Universidade Monte Serrat, onde ela faz os treinamentos, será demolida e aterrada para virar um shopping de automóveis.
A americana Chloe Sutton, de apenas 15 anos, que disputou cada segundo com a brasileira, chegou um segundo na frente, na batida na bóia de chegada. O bronze foi para a canadense Tanya Hunks, dois segundos atrás de Poliana. A outra brasileira da prova, Ana Marcela Cunha, de 15 anos, terminou em 7º lugar.
- A correnteza estava bem forte e eu estava administrando bem. Na penúltima bóia, após a hidratação coletiva, as meninas deram uma arrancada e tentei forçar, mas acabei cansando – disse a baiana, que teve o pé puxado por uma venezuelana, que foi advertida pela arbitragem.
Poliana não encerra sua participação no Pan do Rio. Ela ainda nada os 800m livre, no parque aquático Maria Lenk, na próxima quinta-feira e, quem sabe, pode conquistar algo mais.
- Preciso de 48 horas para repor as energias. Agora é pensar na piscina. É uma prova forte, com nadadoras de nível muito bom – avaliou.
No masculino, outra medalha para o Brasil. O baiano Allan do Carmo, de 17 anos, conseguiu acompanhar a dupla de americanos, ficar sozinho e beliscar um terceiro lugar. O nadador saiu da água comemorando, como se ainda tivesse energia para nadar alguns quilômetros:
- No começo foi bem difícil acompanhar o pelotão. Quando a prova já tinha sete quilômetros, uns começaram a se soltar e eu fiquei sozinho. Estou muito feliz. Ainda sou novo e ainda tenho muita coisa pela frente – contou Allan, humilde, mas bem empolgado com o resultado.
O pai de Allan, Walmir Mamedio do Carmo, de 54 anos, trouxe algumas pessoas da família para o Rio e encomendou 300 camisas com palavras de estímulo.
O americano Fran Crippen, com 2h02min24, chegou cinco segundos a frente do favorito Charles Peterson, também dos Estados Unidos.
Marcelo Romanelli, outro brasileiro da prova, chegou em nono, ao cronometrar 2h07min38s, e ficou desapontado com o resultado.
- Alguém, que eu não vi, puxou minha sunga e acabei perdendo meu composto alimentar. Teve uma hora que precisei repor e não os tinha. Acabei cansando demais – disse, bem triste, o gaúcho de 31 anos.
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