Agência AFP LUANDA - Um dos pais da independência de Angola, Holden Roberto, de 84 anos, morreu na quinta-feira devido a um infarto, informou nesta sexta-feira o seu partido, a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA). - Nosso líder histórico, o irmão Alvaro Holden Roberto, morreu na quinta-feira, às 8H00, em sua residência. Nós pedimos a todos os militantes que permaneçam calmos, para que possamos prestar as devidas homenagens ao nosso líder - afirmou à AFP o vice-presidente da FNLA, Gola Kabkbangu. Roberto criou a FNLA nos anos 60, quando diversos movimentos nacionalistas pressionavam pelo fim da opressão colonial de Portugal. Ele sempre foi o presidente do partido e permaneceu ativo na oposição parlamentar mesmo com seus problemas de saúde, que o levaram com urgência a Paris em janeiro. Em abril de 1975, a FNLA foi um dos três grupos políticos que assinaram o acordo de paz com Portugal, que levou à independência de Angola no mesmo ano. Com ajuda do Zaire e do Ocidente, a FNLA lutou ao lado da União Nacional pela Independência Total de Angola (Unita), contra o Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA), apoiados pelo bloco soviético. Após Cuba enviar força para apoiar a MPLA, a FNLA foi derrotada e Roberto iniciou um exílio, em 1976, que duraria 15 anos e o levaria, entre outros lugares, para a França e o Zaire. Retornando em 1991 para Angola, participou das eleições gerais em 1992, testemunhando a vitória da MPLA. Roberto permaneceu em seu país para ajudar a restaurar a paz, decretada apenas em 2002 após 27 anos de guerra civil. Roberto era um crítico ferrenho do sistema bipartidário de Angola, representado pela MPLA e a Unita. Em 2000, seu antigo aliado Lucas Ngonda, que criou uma facção dissidente da FNLA, exigiu que Roberto se retirasse da vida política.
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