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Iesa Rodrigues, Agência JB
RIO - Todas as japonices possíveis
e imagináveis, desde o Monte Fuji
até os cosplayers, viraram matérias
inspiradoras para Thaís Losso, diretora
de criação da Sommer, em sua
terceira estação. Se a primeira
levou a platéia do Fashion Rio a
um passeio na Floresta da Tijuca e a segunda,
a um espetáculo no Planetário,
desta vez a passarela migrou para o cinema
Odeon, na Cinelândia, para lembrar
a indústria cinematográfica
de Shangri-lá. O clima de fantasia
e infância, sempre presente no estilo
da Thaís ganhou um requinte visual
nos tecidos e nas modelagens.
- Estou aprendendo, estudando. Antes, trabalhava
mais com cores e estampas; agora, penso
nos shapes e formas - reconheceu a estilista,
que aproveita as vantagens da integração
dentro da AMC, o grupo de empresas lideradas
pela malharia Menegotti, de Brusque.
Nada é terceirizado, é possível
acompanhar a costureira pregando os botões
e também desenvolver acabamentos
e tecidos diferentes. Como as malhas com
tingimento fluo, e os algodões entretelados,
reforçados para suportar as técnicas
de pregueados. Do Japão, veio a aplicação
de figuras em feltro, que coloriram as bermudas
masculinas em jeans.
Tanta explicação técnica
parece desnecessária? Desta base
sai a coleção, que além
das fantasias de marinheira, boneca, típicas
dos adolescentes japoneses, e dos personagens
copiados pelos cosplayers, tem estampas
e faixas estilizadas de quimonos, ilustrações
digitais de heróis de mangas nos
casacos. Os modelos masculinos ficam em
torno dos bermudões, jardineiras
e paletós tudo distante do
basicão: há bermuda-saia,
jardineira-dhoti e paletós de brocado.
Para as garotas, as saias são repolhudas,
as batas, pregueadas e cheias de detalhes
de lacinhos ou rendas. Há a ala sexy
de marinheiras e bonecas, manias das japonesinhas
que desfilam pelos parques, e os dragões
sinuosos nas costas das camisas masculinas.
Falando em sexy, a modelo Marta Perez passou
vestida com um saiote pregueado e da cintura
para cima, apenas corações
de paetês no busto. Na complementação
dos looks, o stylist Felipe Veloso quebrou
o excesso nipônico com sandálias
de plataforma de madeira e Carlos Carrasco
adaptou os cabelos com topetes de gueixas
e rabos-de-cavalo de samurai. Um belo final,
no palco com Monte Fuji no painel, a gueixa-estátua
Thelma circulando entre os quase 60 modelos,
agrupados por colorido. E uma chuva de arroz
sobre a platéia, que saiu do cinema
e caiu na Cinelândia, de volta ao
Rio.
Sucesso: toda a parte dos tops, os casaquinhos
e batas pregueadas.
Dúvida: as jardineiras masculinas.
A Sommer tem adeptos para as bermudas-saias,
mas aquele gancho baixo das calças
fica feio até nos modelos.
Rodapé: Thais Losso tem contrato
anual com a Menegotti. Deve ser renovado
muitas vezes, porque nota-se uma evolução
nas roupas, que estão bonitas e ficaram
mais comerciais.
Desde que o Takashi Murakami jogou os logos
coloridos e os bichinhos nas bolsas Louis
Vuitton, o Japão perdeu qualquer
ranço de cafonice na moda. É
um pouco o efeito do bom-humor, que tira
a pretensão da moda de luxo e dá
personalidade para a ala mais popular.
A ótima trilha com styling de Jackson
Araújo, produzida pela Esquisitinhas.com,
tinha bossa nova, frevo e até a Paraíba
masculina, cantada pelos Novos Naniwanos,
banda de Osaka fã dos Novos Baianos.
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