Theodora, incensada

Um ambiente ruim, pesado, barulhento, estraga a criação. Rita Wainer fez de tudo para complicar a visão da coleção: os convidados foram recebidos por densa cortina de fumaça de incenso, daqueles indianos antigos, dos anos 70. Mais um som de trombetas aborígenes, de ensurdecer. Quem sabe, fosse apenas uma referência exótica. Qual: o desfile inteiro passou ao som de uma banda estridente, a fumaça continuou e foi desagradável assistir. O caos ambiente até combinava com o caos dos jeans escuros da Levi´s rebuscados com rabiscos de tinta, aplicações metálicas, efeitos de desbotados diversos, os vestidos com aplicações multicoloridas, o vestido azulão, decorado com perolinhas. A Theodora, marca originalmente jovem e avançada, aderiu ao estilo elegante que predominou neste Fashion Rio, a julgar pelo vestido cinza, plissado, vestido por Michele Provenzi, totalmente chic. Daí em diante, voltou o psicodelismo, as listras multicoloridas, os rabiscos e listradinhos em roxo, laranja, amarelo e roxo.

Pensando agora, revendo mentalmente, a coleção estava forte, tinha encantos. Talvez se tivesse desligado o som e apagado o incenso o humor da platéia fosse mais receptivo

Rodapé: Agora, rápido, porque a fila da Colcci está longa.

Quando entrei, pensei que o desfile tivesse acabado. Várias pessoas saíam da sala. Depois descobri que foram expulsas pelo barulho. Uma delas comentou que fazia mal para o coração.

Ah, Rita, não exagera na produção, quando for para a passarela.