Cláudia Dantas, Jornal do Brasil
RIO - A recuperação da Baía de Guanabara não é tarefa de competência exclusiva do governo do Estado. A prefeitura do Rio, e também os outros 15 municípios localizados no entorno dela – Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Rio Bonito, Tanguá, Guapimirim, Magé, Duque de Caxias, Nilópolis, São João de Meriti, Nova Iguaçú, Belford Roxo, Mesquita, Cachoeiras de Macacu e Petrópolis – podem contribuir para seu programa de despoluição, com ações simples como a fiscalização das redes de águas pluviais e de esgoto que nela desembocam e o controle do lixo.
Os candidatos à prefeitura do Rio, ouvidos pelo Jornal do Brasil, sonham, inclusive, em transformar a Baía de Guanabara em um pólo turístico e econômico, tal qual aconteceu com a Baía de Sidney, na Austrália.
No entanto, o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDGB), conduzido pelo governo estadual em que já foram aportados mais de R$ 1,3 bilhão – recursos próprios e financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Japan Bank for International Cooperation (JBIC) – é fonte eterna de polêmica, por causa do atraso na entrega das obras.
Estação de Alegria
Contudo, Wagner Victer, presidente da Cedae, considera que a entrega da primeira fase da Estação de Tratamento de Esgoto de Alegria permitiu avançar bastante com o programa nos últimos anos.
– Com a obra, ampliamos em quatro vezes a quantidade de esgoto tratado, mas a prefeitura do Rio pode contribuir bastante – destacou.
Até agora, apenas dois candidatos a prefeito procuraram o presidente da Cedae para pegar informações sobre o PDBG – Eduardo Paes (PMDB) e Alessandro Molon (PT) – e, garante Victer, a Rio Águas pode contribuir muito.
– O que prejudicou o meio ambiente foi a politização entre governos – avalia o presidente.
Chico Alencar (PSOL) concorda com Victer, e acredita que o futuro prefeito precisa deixar de ser um mero proclamador de problemas para agir. Para Alencar, o Rio já perdeu 94 quilômetros quadrados de extensão desde a era dos portugueses, e “houve muito desperdício de dinheiro”, diz.
Paulo Ramos, do PDT, dispara contra o programa de despoluição da Baía de Guanabara, que considera um escândalo. Se for eleito, vai acionar judicialmente o banco japonês que financiou o programa.
Já Alessandro Molon (PT) acredita que a Baía recuperada poderá mudar o curso de crescimento econômico e turístico da cidade, que cresce para a Zona Oeste.
Solange Amaral (DEM) aposta na experiência da prefeitura com a recuperação da Baía de Sepetiba para poder aplicar na Guanabara.
– Também é preciso atuar na educação para prevenir o despejo de esgoto irregular – propõe.
Eduardo Paes sustenta que a prefeitura tem a responsabilidade de finalizar a entrega do esgotamento sanitário nas comunidades carentes da cidade, e também assumir a limpeza e a dragagem dos copos hídricos dos cursos de água que vão dar na Baía.
E Marcelo Crivella, do PRB, aposta na tecnologia de robôs para fiscalizar as galerias pluviais que desembocam no local, e, com isso, diminuir a quantidade de esgoto.
Jandira Feghali (PCdoB) vai investir na bacia do Canal do Cunha, que poderá atender 15% da população carioca, e na ampliação das obras do PAC.
Já Fernando Gabeira, do PV, acena com uma proposta turística para revitalizar a área: – Pretendo criar um roteiro turístico no entorno da Baía, recuperar Paquetá, e também o porto do Rio.
[00:53] - 19/08/2008