|
Cantora foi um dos expoentes da era de ouro do rádio
Uma das últimas remanescentes da era de ouro do rádio brasileiro, a cantora Zezé Gonzaga morreu na madrugada de ontem aos 81 anos, tendo sucumbido a uma falência múltipla dos órgãos. A intérprete estava internada no Hospital Adventista Silvestre, desde segunda-feira, com insuficiência respiratória. Encerra-se assim uma carreira artística iniciada aos 12 anos e que estendeu-se até os anos 2000 – ainda este ano, lançou seu último trabalho, Entre cordas, no qual dividia espaço com grandes nomes da MPB. O velório foi realizado na Câmara Municipal e o enterro, ontem à tarde no cemitério São João Batista.
– Zezé era, na verdade, ma menina de 81 anos, uma pessoa de luminosidade constante – disse Herminio Bello de Carvalho, compositor, produtor musical, amigo pessoal de cantora e que acompanhou seus passos profissionais nas últimas décadas.
Nascida em 3 de setembro de 1926 (completaria portanto 82 anos daqui a algumas semanas) como Maria José Gonzaga, na cidade mineira de Manhuaçu, Zezé era filha e neta de músicos. Sua mãe era flautista e seu pai fabricava instrumentos musicais. Com apoio da família, começou a dedicar-se ao canto lírico (era soprano ligeiro) e estreou diante de uma platéia em 1938, cantando a valsa Neusa, sucesso na voz de Orlando Silva. Quando muda-se para o Rio (onde morou até morrer), aos 19 anos, sua carreira começou a deslanchar. Ganharia um concurso na hoje extinta Rádio Clube do Brasil, em 1948; no fim daquela década, já passava ao elenco da rádio Nacional, a mais influente emissora da época. Foi considerada uma das vocalistas mais requisitadas da rádio.
Solo ou em grupos como As Moreninhas e As Três Marias, cravou nos anos 50 e 60 sucessos como Não quero lembrar (Sávio Barcelos, Ailce Chaves e Paulo Marques), Quero esquecer (Brasinha, Salvador Miceli e Mário Blanco), Canário triste (V. Floriano) e Razão de tudo (Umberto Silva e Nilton Neve). Foi também uma das primeiras a registrar as parcerias de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, no fim dos anos 50.
Diminuindo o ritmo nas décadas seguintes, Zezé ainda assim permaneceu figura reverenciada. Gravou com o grupo As Cantoras do Rádio, fez parceria com Jane Duboc e retornaria ao disco (depois de um hiato de 23 anos) com Sou apenas uma senhora que ainda canta, lançado em 2002 e produzido por Hermínio Bello de Carvalho, muito aplaudida pela crítica.
|