25 de julho de 2008
 
Zezé Gonzaga se vai, aos 81

Cantora foi um dos expoentes da era de ouro do rádio

Uma das últimas remanescentes da era de ouro do rádio brasileiro, a cantora Zezé Gonzaga morreu na madrugada de ontem aos 81 anos, tendo sucumbido a uma falência múltipla dos órgãos. A intérprete estava internada no Hospital Adventista Silvestre, desde segunda-feira, com insuficiência respiratória. Encerra-se assim uma carreira artística iniciada aos 12 anos e que estendeu-se até os anos 2000 – ainda este ano, lançou seu último trabalho, Entre cordas, no qual dividia espaço com grandes nomes da MPB. O velório foi realizado na Câmara Municipal e o enterro, ontem à tarde no cemitério São João Batista.

– Zezé era, na verdade, ma menina de 81 anos, uma pessoa de luminosidade constante – disse Herminio Bello de Carvalho, compositor, produtor musical, amigo pessoal de cantora e que acompanhou seus passos profissionais nas últimas décadas.

Nascida em 3 de setembro de 1926 (completaria portanto 82 anos daqui a algumas semanas) como Maria José Gonzaga, na cidade mineira de Manhuaçu, Zezé era filha e neta de músicos. Sua mãe era flautista e seu pai fabricava instrumentos musicais. Com apoio da família, começou a dedicar-se ao canto lírico (era soprano ligeiro) e estreou diante de uma platéia em 1938, cantando a valsa Neusa, sucesso na voz de Orlando Silva. Quando muda-se para o Rio (onde morou até morrer), aos 19 anos, sua carreira começou a deslanchar. Ganharia um concurso na hoje extinta Rádio Clube do Brasil, em 1948; no fim daquela década, já passava ao elenco da rádio Nacional, a mais influente emissora da época. Foi considerada uma das vocalistas mais requisitadas da rádio.

Solo ou em grupos como As Moreninhas e As Três Marias, cravou nos anos 50 e 60 sucessos como Não quero lembrar (Sávio Barcelos, Ailce Chaves e Paulo Marques), Quero esquecer (Brasinha, Salvador Miceli e Mário Blanco), Canário triste (V. Floriano) e Razão de tudo (Umberto Silva e Nilton Neve). Foi também uma das primeiras a registrar as parcerias de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, no fim dos anos 50.

Diminuindo o ritmo nas décadas seguintes, Zezé ainda assim permaneceu figura reverenciada. Gravou com o grupo As Cantoras do Rádio, fez parceria com Jane Duboc e retornaria ao disco (depois de um hiato de 23 anos) com Sou apenas uma senhora que ainda canta, lançado em 2002 e produzido por Hermínio Bello de Carvalho, muito aplaudida pela crítica.

[ 25/07/2008 ]   02:01