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Objetivo é expandir uso do equipamento para batalhões e Polícia Civil
Da Redação
Depois de operações como a do Complexo do Alemão em 27 de junho – quando 19 pessoas morreram e motivaram até a vinda de um representante da ONU ao Rio para investigar desrespeito aos direitos humanos – o Batalhão de Operações Especiais (Bope), maior expoente de truculência da polícia fluminense, começou ontem a ser treinado com armas não-letais. O novo armamento a ser usado nos morros do Rio, adquirido pelo governo do Estado em fevereiro, inclui sprays de pimenta e granadas de gás lacrimogêneo e de luz e som, mas não há previsão para começarem a ser usados.
A primeira aula aconteceu no campo da fabricante do equipamento, na Baixada Fluminense, onde cerca de 40 policiais de seis Estados participaram do treinamento – incluindo seis policiais da tropa, fuzileiros navais e agentes penitenciários. Os soldados simularam o resgate de dois reféns seqüestrados em uma favela cenográfica. Para libertá-los, usaram granadas de impacto, explosivas, lacrimogêneas e de emissão de fumaças, testaram munições de impacto controlado e outros armamentos que não matam.
O armamento foi usado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública durante os Jogos Pan-Americanos. O objetivo da Secretaria Estadual de Segurança é ampliar o uso nas corporações militares e pela Polícia Civil. O Bope, porém, não vai abandonar os fuzis com alto poder de destruição. O objetivo é conciliar os tipos diferentes de armas e diminuir assim o número de inocentes feridos.
– As armas não-letais possibilitam ao policial imobilizar o criminoso ou deixá-lo em posição de desvantagem – explica o diretor de Relações Institucionais da empresa, Antônio Carlos Magalhães. – Caso um inocente esteja no local e seja atingido, o efeito será passageiro, sem danos irreversíveis.
O uso de armas não-letais foi motivado pelo alto índice de balas perdidas registrado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), um aumento de 24,5% em um ano. Depois do primeiro treinamento, a tropa vai simular o uso do novo armamento na favela Tavares Bastos, usada pelo Bope para simular incursões em áreas consideradas de risco. Segundo Magalhães, quando um bandido estiver na laje de um barraco, por exemplo, o policial poderá lançar uma ogiva de gás lacrimogêneo e incapacitar a visão do bandido.
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