31 de março de 2008
 
Forças Armadas entram hoje no front contra dengue

Militares atuarão em três hospitais de campanha e no combate ao ‘Aedes’

Duilo Victor

Depois de um trágico fim de semana em que cinco pessoas morreram por complicações causadas pela dengue – 59 óbitos já ocorreram desde o início do ano no Estado – é a vez de as Forças Armadas entrarem no front da epidemia. A partir de hoje, três hospitais de campanha funcionarão dia e noite até o fim da crise. Exército, Marinha e Aeronáutica cederam 1.700 homens para o tratamento e combate ao mosquito. São mais militares que o efetivo brasileiro na missão de paz na ONU no Haiti.

Já era tempo. Ontem, os hospitais Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, e o Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, tiveram longas filas de espera por causa do número de insuficiente de médicos. Para diminuir o gargalo na região, foi montada uma tenda no Clube da Aeronáutica, em Jacarepaguá, com capacidade de atendimento de 400 pessoas por dia. A área é o epicentro da crise sanitária e, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, já registrou 7.537 nos 10 bairros da região administrativa, onde moram cerca de meio milhão de pessoas.

A instalação provisória da Aeronáutica é a única que prestará atendimento direto aos doentes. Um posto de triagem está instalado no Terminal Rodoviário Alvorada, na Barra, para prestar o primeiro socorro a pacientes com os sintomas da doença. No hospital de campanha, estão montados 40 pontos de hidratação, além de consultórios e laboratório para exame de sangue.

Em Deodoro, na Vila Militar, o Exército ergueu uma tenda com 50 pontos para hidratação de pacientes – tratamento mais urgente para os portadores da dengue clássica. A armação servirá como referência para os pacientes que forem atendidos no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes. Em Nova Iguaçu, a Marinha vai montar, no quartel do Corpo de Bombeiros, uma tenda de hidratação para receber pacientes do Hospital Municipal da Posse.

Pé na porta

Dos 1.700 militares das Forças Armadas, 500 serão usados nas vistorias feitas com apoio do Corpo de Bombeiros nos imóveis em regiões com maior infestação do mosquito Aedes aegypti. Desde o início do mês, os bombeiros já vistoriaram 89.635 imóveis. Na sexta-feira, eles e os agentes de saúde da prefeitura ganharam outro reforço, desta vez burocrático. Com a instalação do estado de emergência, assinado pelo governador Sérgio Cabral, bombeiros estão invadindo casas com flagrantes focos do Aedes, mas que estão abandonadas. De acordo com o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, pelo menos 20 casas já sofreram invasões na sexta-feira. Amanhã pela manhã, o roteiro recomeça. A OAB-RJ já se manifestou contra as invasões sem mandado judicial.

[ 31/03/2008 ]   02:01