26 de março de 2008
 
Jobim garante 400 soldados no combate à dengue no Rio

Militares identificarão focos e montarão tendas de hidratação

Fúlvio Melo e Luciana Abade

Rio e brasília

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou ontem que as Forças Armadas estão preparadas para ajudar no combate à dengue no Rio. Elas vão agir em duas frentes: na identificação e limpeza dos focos do mosquito e no diagnóstico e atendimento prévio dos pacientes em barracas de campanha, onde deverão ajudar na hidratação dos pacientes. Jobim estima em 400 o número de homens que serão disponibilizados pelo Ministério da Defesa. Os militares, segundo o ministro, estão em contato direto com o gabinete de crise. Quando questionado de quem é a responsabilidade pelo surto epidêmico, Jobim não quis fazer juízo político do tema. Ontem ainda, o Ministro José Gomes Temporão anunciou que 100 dos 601 médicos que serão contratados já estão trabalhando.

Em seu segundo dia de funcionamento, as tendas de hidratação, criadas para desafogar o grande número de doentes de dengue dos principais hospitais da cidade, tiveram movimentos diferentes. Se na unidade de Campo Grande, a fila era grande. Em Jacarepaguá e Santa Cruz foram poucos os auxílios prestados aos pacientes.

Primeira tenda a ser inaugurada, a de Jacarepaguá, na entrada do Retiro dos Artistas, visava atender a região que têm o maior número de caos de município. No entanto, no fim da tarde de ontem havia um número de enfermeiros maior que o de pacientes. A auxiliar de cozinha Auricéa Alves, 37 anos, assistia um pouco mais calma, seu filho Giovanni Arthur, de 10 anos, receber soro, no leito.

– Estávamos no Lourenço Jorge, e viemos para cá – conta

Os atendidos, em sua maioria crianças e idosos, recebem de seis a cinco de horas de soro na veia. O entregador Marcus Francisco, pai de Valeska, de nove anos, parecia aliviado.

– Levei ela às 7h em um posto de saúde, já com o diagnóstico de dengue, fomos atendidos ao meio-dia e viemos para cá – conta o morador do Méier.

Também recebendo atendimento em Jacarepaguá, Dulcenéa Barros, auxiliar de enfermagem contou uma triste sina que se repete nos centros médicos e que chegou até as tendas: o drama em família

– Há quinze dias, acompanhei minha nora ao hospital. Hoje foi ela quem veio me ajudar – disse, depois de reclamar da forte dor nos olhos.

Esposa do filho de dona Dulcenéa, a dona de casa Ana Paula Barros escapou do seu terceiro caso da doença

Apesar de morar em Madureira, as duas só foram buscar atendimento no hospital Rocha Faria, que fica em Campo Grande. Segundo Dulcenéa a razão é bem simples .

– Quando Ana Paula estava doente, fomos buscar ajuda no Carlos Chagas, mas não tinha nem clínico nem pediatra. Aí resolvemos ir para Campo Grande – conta.

[ 26/03/2008 ]   02:01