29 de março de 2007
 
Polícia interdita clínica de bronzeamento artificial

Natasha Neri

A sala de bronzeamento artificial da Clínica de Estética Marly Machado, na Barra da Tijuca, foi interditada na manhã de ontem por policiais da Delegacia de Repressão aos Crimes de Saúde Pública (DRCCSP). Foi nesta clínica, no shopping Barra Square, que a estudante Andréa Santos Lindner, 34 anos, fez bronzeamento artificial e depois teve queimaduras de segundo grau em mais de 90% do corpo. Andréa está internada em estado grave, no Centro de Terapia Intensiva do Hospital Quinta D'or, em São Cristóvão, desde o dia 17.

Segundo a equipe médica do hospital, Andréa está sedada, respirando com a ajuda de aparelhos, e está sendo submetida a curativos cirúrgicos freqüentes. Delegado titular da DRCCSP, Marcus Cipriano informou que a sala de bronzeamento ficará fechada até que a perícia seja concluída. Apesar de não ter sido interditada por completo, a clínica decidiu parar os atendimentos ontem.

A responsável pelo centro de estética, Marly Machado, não quis dar entrevistas. Segundo o advogado da clínica, Diogo Souza, Andréa fez três sessões de 15 minutos de bronzeamento artificial este ano: em janeiro, fevereiro e no dia 14 de março. Diogo informou que Andréa saiu da clínica no dia 14 sem queimaduras e acredita que ela possa ter se ferido nos dias seguintes ao tratamento.

- Seria impossível uma pessoa ter 90% do corpo queimados e ficar três dias em casa - ressaltou Diogo, lembrando que a cliente da clínica só procurou o hospital no dia 17. - A clínica segue todas as exigências do Ministério da Saúde e os funcionários são treinados.

O advogado acrescentou que vai solicitar ao shopping Barra Square as imagens do circuito interno de câmeras dos dias 14, 15, e 16, para provar que Andréa saiu caminhando depois da sessão de estética e não voltou nos dias seguintes. A clínica também vai pedir para que outras clientes que fizeram o mesmo bronzeamento recentemente prestem depoimento no inquérito policial.

O delegado Cipriano vai convocar parentes da estudante, o dono da clínica e o técnico que operava a máquina de bronzear para prestarem depoimentos.

Presidente da Associação dos Esteticistas do Estado do Rio de Janeiro e da Federação Brasileira dos Profissionais Esteticistas, Rosângela Façanha disse que Marly Machado não é filiada a nenhuma das duas entidades e informou que vai apurar se a dona da clínica tem autorização para exercer a profissão de esteticista. Rosângela explicou que esteticistas precisam ter diplomas de cursos especializados e licença da Secretaria de Estado de Saúde para abrir uma clínica:

- Se constatarmos que ela não é esteticista, vamos entrar com uma ação, por ter denegrido a imagem do profissional esteticista do Estado.