13 de março de 2007
 
Jovens conhecem seus direitos

A antropóloga Alba Zaluar, do Núcleo de Pesquisa da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), acredita que os menores que se envolvem em crimes conhecem os direitos que adquiriram e sabem que não ficarão detidos por muito tempo. Apesar de reconhecer que a certeza da impunidade existe entre os jovens infratores, Alba não defende a redução da maioridade penal nem que eles sejam postos em "jaulas".

- Eles se isolam em quadrilhas e quanto mais crueldades praticam, mais prestígio ganham - explica a antropóloga.

A ruptura entre as gerações também facilita a criação de guetos e acaba com a transmissão de valores, segundo Alba. Os jovens deixaram de freqüentar lugares onde se reúnem pessoas de diferentes faixas etárias.

- Eles deixaram o samba para ir aos bailes funk, que são redutos onde se isolam - alerta Alba.

A antropóloga defende o acompanhamento de profissionais especializados e cita os projetos realizados por escolas de samba e pelas religiões afro-brasileiras como forma de recuperar os adolescentes.

- O problema é que não há uma integração com outros setores - reclama Alba.

Acostumado a lidar com essa realidade, Gauracy Vianna, juiz titular da 2ª Vara da Infância e Juventude, diz que três fatores empurram o jovem para o crime. O primeiro deles é o financeiro. Roubar e traficar dão retorno imediato.

- Entre os adolescentes, o crime contra a vida soma menos de 1% - ressalta Guaracy.

O segundo fator é a certeza da impunidade. E o terceiro motivo é a obtenção de drogas. Apesar das dificuldades para conter a violência, Guaracy considera um avanço a discussão levantada sobre o tema.

- Antigamente, a elite e as autoridades achavam que a criminalidade era uma coisa distante. Agora não - diz.

A psicanalista Madalena Sapucaia lembra que vivemos um momento de relações sociais tensas e que a vida está violenta para os jovens.

- Os que não têm bens materiais não têm reconhecimento social - observa Madalena.