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Sergio CohnPoeta e editor da Azougue
Este ano vivi uma situação nova com o meu filho Leo, de 3 anos. Recém-separado, tive que conquistar o acesso a ele, o tempo suficiente para não ser apenas o melhor amigo, mas efetivamente pai. Ver o filho apenas algumas horas durante a semana possibilita brincar, mas não participar de atividades cotidianas que são fundamentais para compartilhar e influir no crescimento da criança. Consegui, se não o ideal, contato suficiente para me sentir pai pela segunda vez. E, com isso, o direito de ser também, sem nenhuma perda, o melhor amigo, companheiro de brincadeiras e aventuras.
Foi uma dessas aventuras que vivemos juntos na tarde de terça-feira, quando, por convite da Programa, fizemos uma aula de patinação numa academia na Fonte da Saudade. Quando chegamos lá, o Leo estranhou ter que colocar todos os equipamentos, ficou temeroso. Mas Érika, a professora, com toda a experiência e simpatia, soube convencê-lo e estimulá-lo. Leo deu voltas e voltas no colo dela, foi se soltando, ficou de pé sem apoio, se divertiu tanto que pelo jeito as aulas irão continuar. Junto com a capoeira e a natação, meu filho começa a se esboçar um esportista ainda tímido, mas cada vez mais confiante.
Então, foi a minha vez de sentir um frio na barriga. Sempre me diverti dizendo que virei poeta porque não sabia jogar futebol nem tocar guitarra. Esporte nunca foi o meu forte. Então, desequilibrado sobre os patins, temendo aparecer estampado no jornal no exato momento em que quebrava o fêmur, ou pior ainda o cóccix, me veio à cabeça o poema do Oswald de Andrade: "Descobri com o meu filho/ que a poesia é a descoberta/ das coisas que não vi".
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