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Fernando Ceylão
Eu ia assistir a Batman. E, duas horas antes daquela sessão de cinema, a Programa me colocou pra escalar parede. E com um cinturão cheio de equipamentos. Junte A + B e deduza que C sou eu voltando a ter 12 anos e me empolgando feito um nerd tomado de fúria.
Alguns dias depois da aventura e minhas mãos ainda doem. Se alguém gritar meu nome agora e eu olhar rápido, vou lembrar que meu pescoço também dói. Sem falar nos músculos (?) dos braços, que fazem uma simples digitação parecer um exercício pesado de academia.
Era num hostel, o Tupiniquim. Imaginei que seria numa academia, mas quando cheguei naquela colorida casa numa ruela de Botafogo, achei tudo ainda mais interessante. A parede de escalada, a falsa montanha, ficava lá nos fundos e aquilo dava uma atmosfera meio clandestina para a experiência.
Meu guia seria o Alexandre Campista, o dono do lugar. Sujeito com cara de "viajei o mundo todo", simpático e solícito, que rapidamente me ensinou como usar o equipamento e sair do chão, fazendo aquilo tudo parecer facílimo. E de certa forma era. Quando você descobre que pode cair, que seus 130 quilos ficarão suspensos seguramente no ar, equilibrados por um dono de hostel com metade do seu peso, você se solta.
Colocar os pés no lugar certo, pegar impulso e jogar o corpo para cima; segurar-se num pedaço mínimo de pedra fincado numa parede e jogar com a lei da gravidade. Tudo isso é tranqüilo. Em poucos segundos você já está a uns cinco metros do chão.
A estréia era de Batman, mas, claro, o Homem-Aranha também veio à mente de 12 anos que ali estava. Diversão total. A única dificuldade real foi caber naquele equipamento. Fora aquela sapatilha que o Alexandre cismou que cabia no meu pé 45. Nem cortando os dedos fora. Era como pôr toda a redação do Jornal do Brasil dentro de um Corsinha 98. E sem ar.
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