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A melhor maneira para avaliar um vinho é prová-lo às cegas, sem saber o que está sendo degustado. Assim nos livramos da influência do rótulo, do nosso gosto pessoal e das informações que já tínhamos sobre o produtor, a uva ou a região. E provar um vinho às cegas, mais do que a forma mais justa de avaliá-lo, é, também, divertido. Ainda mais se for em grupo. A brincadeira é simples. Junte alguns amigos, separe algumas garrafas, embrulhe-as em papel alumínio e sirva os vinhos, um de cada vez. Faça a avaliação e confira o resultado depois. Reveladas as notas, mostre o que foi provado e confira se os mais caros se saíram melhor do que os vinhos mais baratinhos.
Fazer uma degustação às cegas é bem mais fácil do que parece. O primeiro passo é escolher os vinhos. O ideal é que se defina um tema para a avaliação. Pode ser uma uva, uma região, um determinado produtor ou uma safra. Como exemplo, vamos escolher a primeira opção. Quatro diferentes vinhos feitos com a uva syrah, de diferentes regiões e safras. Um chileno, um francês, um australiano e um sul-africano. Todos feitos entre 2004 e 2006.
O próximo passo é arrumar um juiz. É ele quem embrulha as garrafas em papel alumínio e serve a dose aos degustadores. O ideal é que todos vinhos sejam servidos no mesmo tipo de taça e, se possível, que os degustadores possam ficar com todos os vinhos durante toda a prova, para notar a evolução de cada amostra. Os participantes devem avaliar a cor, os aromas e o gosto dos vinhos. O método criado pelo italiano Giancarlo Bossi é um dos melhores. Confere-se 16 pontos ao aspecto visual, 32 pontos ao aspecto olfativo e 60 pontos para exame gustativo. As garrafas devem ser abertas ao mesmo tempo, e todos os vinhos deverão ser servidos à mesma temperatura.
Na cor, avalia-se a limpidez e a fluidez do vinho. Gira-se a taça para observar se o vinho é denso ou escorregadio, examinando a fluidez. Para avaliar a limpidez, inclina-se a taça sobre um fundo branco. Assim veremos se o vinho é brilhante, límpido ou mesmo turvo. No exame olfativo, julga-se a qualidade, a intensidade e a persistência aromática do vinho. O mais importante no exame olfativo é a qualidade. Um bom vinho deve ter aromas francos, finos e agradáveis. Na boca, que é o principal, avalia-se o equilíbrio entre açúcares, álcool, acidez e taninos, a qualidade e a intensidade do vinho e a persistência.
É bom que os degustadores não comentem suas opiniões enquanto dão as notas. Assim um julgador mais experimentado não influenciar um provador menos experiente. Depois de bebidos os vinhos, desembrulham-se as garrafas e é a hora da verdade. Nem sempre os mais caros vencem. Mas o que realmente importa é a brincadeira. Até porque, muitas vezes, outras degustações feitas com os mesmos vinhos repetidas vezes apresentam resultados diversos.
Para quem quiser brincar, quatro bons vinhos feitos com a syrah. O chileno Armador Syrah 2005 (R$ 44, World Wine, 2005-5125), feito pela Odjfell; o Hope Estate Shiraz 2005 (R$ 87, KMM, 2286-3873), da Austrália; o francês Aimery Syrah 2006 (R$ 22,95, Zona Sul, 2122-7070); e o sul-africano Five Heirs Syrah 2005 (R$ 72, Paralelo 35, 3106-7722).
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