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Nelson Gobbi
Uma das maiores armadilhas dos filmes "para toda a família" são tramas nas quais adultos ganham lições emocionais de crianças-prodígio. Qualquer escorregão no roteiro pode transformar a história num melodrama irrecuperável. Ensinando a viver flerta com alguns dos clichês mais perigosos do gênero – a criança desamparada, o protagonista que tenta reconstruir a vida depois da morte da mulher, mensagens edificantes espreitando a cada seqüência – e consegue manter-se livre do excesso de sacarose, embora sem inovar.
O diretor Menno Meyjes usa a relação entre um escritor que conseguiu transformar os traumas infantis em sucesso editorial (John Cusack) e um órfão rejeitado que acredita ter vindo de Marte (Bobby Coleman) para tratar de temas como inadequação social e sobre o que é preciso sacrificar para ser aceito num grupo. A boa tabela entre os dois garante um mínimo de integridade ao longa.
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