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Em São Paulo, ouvidor diz que falta acompanhamento psicológico
As polícias do Rio de Janeiro e de São Paulo estão matando mais pessoas neste ano do que no mesmo período do ano passado. Na Polícia Militar de São Paulo, por exemplo, o aumento de mortes em relação a 2007 foi de aproximadamente 17%.
Entre janeiro e maio deste ano, foram registradas 221 mortes causadas por PMs em São Paulo. No mesmo período de 2007, foram 182 casos, segundo dados da Corregedoria da PM, publicados no "Diário Oficial'' do Estado.
Segundo a Corregedoria, 164 dos casos registrados neste ano ocorreram quando os policiais estavam em serviço. O restante envolve casos de integrantes das forças de segurança que atuavam em "bico'' ou que se envolveram em briga de trânsito ou de vizinhos, por exemplo.
No mesmo período, a Corregedoria identificou uma redução de 18% no número de casos de pessoas feridas por PMs.
Segundo Júlio César Neves, ouvidor assistente da polícia de São Paulo, falta acompanhamento psicológico mensal para reduzir o número de mortes.
Na Polícia Civil, as estatísticas de mortes também subiram. Foram 13 mortos e 14 feridos no primeiro trimestre deste ano contra 9 mortes e 7 casos de lesão corporal no mesmo período de 2007, segundo a Secretaria de Segurança Pública.
Segundo a pesquisadora Cristina Neme, do NEV (Núcleo de Estudos da Violência da USP), o aumento do número de mortes provocadas por uma força policial e a redução de pessoas feridas no mesmo período pode indicar uma tendência a uma política de confronto. Ela afirmou, porém, que a gestão do secretário da Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, não pode ser considerada linha dura.
A PM de São Paulo afirmou que trabalha sempre dentro da legalidade e que seus policiais são treinados de acordo com o método Giraldi, que ensina os policiais a negociar e só atirar em último caso.
A assessoria da PM paulista ressaltou ainda que, entre janeiro e maio deste ano, mais de 32 mil criminosos foram retirados das ruas.
Rio de Janeiro
No Rio, o número de mortes cometidas por policiais civis e militares só tem aumentado desde o ano de 2004, segundo estatísticas da Secretaria de Segurança Pública carioca.
Neste ano, foram 502 casos registrados em todo o Estado entre os meses de janeiro e abril. As estatísticas mostram aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2007.
– O problema da violência no Rio de Janeiro é mais complexo. Lá fica claro que existe uma política de confronto, que não se importa com os efeitos colaterais da alta letalidade que ela vai provocar. A prioridade não é a preservação da vida – disse a pesquisadora do NEV.
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